
Com um aumento de custos estimado em até 8,1%, as indústrias da região Sul seriam as mais afetadas pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A proposta, segundo a entidade, produziria efeitos desiguais entre as regiões do país, em razão das diferenças no perfil produtivo local, na intensidade de uso de trabalho formal e na proporção de empregados com jornadas hoje próximas do limite de 44 horas.
Para dimensionar os efeitos da proposta, a CNI simulou duas situações. Na primeira, as empresas manteriam o total de horas trabalhadas recorrendo a horas extras. Na segunda, as horas suprimidas seriam recompostas por meio da contratação de novos empregados, preservando o volume de produção.
No cenário com compensação via horas extras, o Sul figura com o maior aumento de custos (até 8,1%), seguido pelo Sudeste (7,3%), Nordeste (6,1%) e pelas regiões Norte e Centro-Oeste (5,5% cada). Embora o maior impacto percentual recaia sobre o Sul, o Sudeste concentraria a maior elevação em termos absolutos: até 143,8 bilhões de reais adicionais em despesas com pessoal.
Na hipótese de reposição por novas contratações, as variações seriam menores, mas a ordem regional não mudaria: Sul (5,4%); Sudeste (4,9%); Nordeste (4,1%); e Norte e Centro-Oeste (3,7% cada). Mesmo nesse caso, o Sudeste reuniria o maior impacto absoluto, estimado em 95,8 bilhões de reais adicionais.
Segundo a análise, a mudança teria como consequência imediata uma elevação próxima de 10% no valor da hora regular de trabalho para empregados cujos contratos atuais superam 40 horas semanais. Se as horas reduzidas não forem recompostas, a diminuição do limite semanal tenderá a provocar retração da atividade econômica.