Uma mostra sobre a arte popular coreana ocupa, a partir do dia 8, dois endereços emblemáticos de São Paulo. Rota da Minhwa será apresentada simultaneamente no Centro Cultural Coreano no Brasil e no Shopping Center 3, reunindo cerca de cem obras que revisitam uma das tradições mais simbólicas da Coreia.

A minhwa floresceu nos séculos XVIII e XIX, durante a dinastia Joseon, como uma manifestação artística de forte caráter popular. Diferentemente da produção ligada à corte, essas pinturas eram criadas por artistas anônimos ou por pessoas comuns. Retratavam cenas do cotidiano e, sobretudo, símbolos de bons presságios (tigres, flores, pássaros, livros) associados a desejos de prosperidade, longevidade, conhecimento e harmonia familiar.

Na Coreia do Sul contemporânea, a minhwa segue viva em duas frentes. Há quem preserve técnicas e composições tradicionais, recriando imagens históricas com novas paletas. Outros artistas optam por leituras autorais, deslocando temas e incorporando elementos atuais. A exposição em São Paulo apresenta esse diálogo entre permanência e reinvenção, com obras que se alternam ao longo do período expositivo.

Participam da mostra nomes como Ko Eun Jin, Kim Kang Mi, Kim Ok Kyung, Harang Son Jiyoung, Oh Jinsil, Lee Dami, Lee Eunji, Lee Jeong Eun e Im Jin Sung. Algumas peças foram concebidas especialmente para o público brasileiro. É o caso de Vamos ser amigos!, de Son Hyunjung, que incorpora referências ao futebol para aproximar o imaginário coreano da cultura nacional.

No Centro Cultural Coreano, a mostra privilegia o formato de galeria, com destaque para biombos de grandes dimensões, tradicionalmente usados em cerimônias reais e celebrações familiares, além de seminários e oficinas conduzidos por especialistas convidados.

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No Shopping Center 3, a proposta assume caráter mais interativo, com atividades abertas ao público e material explicativo sobre a tradição da minhwa, integrando a exposição ao cotidiano de quem circula pelo espaço.

Ao dividir a programação entre os dois locais, o projeto aposta em ampliar o alcance da arte coreana na cidade, oferecendo ao visitante tanto uma experiência mais contemplativa quanto um contato mais espontâneo com essa tradição que atravessa séculos e segue em renovação.

“Nossa proposta é criar um circuito entre os dois espaços para, assim, alcançarmos diferentes públicos, ampliando o contato dos brasileiros com a cultura coreana”, afirma Cheul Hong Kim, diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil.



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