O namorado da delegada recém-empossada Layla Lima Ayub, presa por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), estava de mudança para São Paulo e queria ter uma “nova vida”, afirmou a defesa dele, ao Metrópoles.

Também acusado de elo com o crime organizado, Jardel Neto Pereira da Cruz, o Dedel, tem raízes no Pará, mas buscava “se desvincular desse passado e construir uma nova trajetória em São Paulo”, afirmou a advogada Tainara Arantes.

Namorado de delegada do PCC presa queria “nova vida” em SP, diz defesa - destaque galeria

Polícia ressalta sinal com os dedos e símbolos associados ao PCC em postagens de Dedel nas redes sociais
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Reprodução

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Entenda o caso

  • Layla, recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, e o namorado Jardel foram presos, em 16 de janeiro, no âmbito da Operação Serpens, que combate a presença de integrantes do crime organizado nas instâncias de poder.
  • Anteriormente, em dezembro, ele havia estado na Academia da Polícia Civil (Acadepol) para a posse da namorada como delegada.
  • Ela é acusada de ter advogado para integrantes do Comando Vermelho (CV) quando já havia sido empossada para o cargo público – o que viola o estatuto da advocacia e vai contra o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
  • Mesmo que tenha advogado para o CV, facção rival à paulista PCC, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta que ela mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção criminosa.
  • Jardel, por sua vez, tem histórico criminal. Ele foi preso em 2021, apontado como o responsável pela expansão do PCC no Norte do Brasil, região ainda dominada pelo CV. Ele progrediu para o regime semiaberto, mas foi preso novamente, em 2023, após fugir.
  • Segundo o MPSP, Jardel deixou a cidade de Marabá, no Pará, sem autorização prévia do juiz, o que configura violação da liberdade condicional que usufruia no momento. A investigação apontou que ele se mudaria em definitivo para São Paulo para morar com Layla. O casal foi preso junto em uma pensão.

“Nova trajetória em São Paulo”

Tainara informou ao Metrópoles que, antes de ser preso, Jardel tinha o objetivo de se desvincular do passado no Pará e construir uma nova trajetória na capital paulista, “onde se estabeleceu e buscou meios para sua ressocialização”.

“Como parte de seu processo de ressocialização e buscando construir uma nova vida, Jardel Neto Pereira da Cruz tinha a intenção de estabelecer residência e futuros vínculos em São Paulo, onde sua companheira também vive e possui seu trabalho”, declarou.

Na capital paulista, o casal estava se preparando para comprar uma padaria, localizada na zona leste da cidade. A negociação foi alvo de suspeita pelo MPSP e pela Corregedoria da Polícia Civil, que apontou potencial lavagem de dinherio na transação.

Questionada sobre a compra do estabelecimento, a defesa afirmou que “informações sobre eventuais negócios ou investimentos são especulativas” e que “qualquer aspiração comercial seria parte de um esforço legítimo de ressocialização e busca por trabalho lícito”.

Defesa nega elo com crime organizado

A advogada também contestou as alegações de que Jardel seja uma liderança do PCC responsável pela expansão da facção no Norte do Brasil.

“Tratam-se de acusações graves que, até o presente momento, carecem de qualquer prova concreta e não foram devidamente demonstradas nos autos. Tais narrativas são, em grande parte, especulativas e desprovidas de base factual robusta”, disse à reportagem.

A defensora destacou que o processo contra Jardel, em segredo de justiça, está em fase de investigação. Ela detalhou que o homem é acusado de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de bens e valores.

“É crucial ressaltar que são apenas acusações e ele goza da presunção de inocência, a qual a defesa trabalha para reafirmar”, enfatizou Tainara.

“Fugiu” porque estava sendo ameaçado

A advogada afirmou ainda que Jardel descumpriu a liberdade condicional ao deixar o estado do Pará porque estava sofrendo “sérias ameaças à sua integridade física”. O risco o levou a buscar refúgio em outro estado, alegou a defesa.

“A defesa está apresentando todos os argumentos e fatos que demonstram o contexto da situação e buscando a regularização de sua situação jurídica”, declarou a defensora. Segundo ela, o objetivo é apresentar à Justiça o contexto integral da trajetória de Jardel e o “desejo genuíno de ressocialização”.

Ela também negou ter conhecimento de qualquer vídeo que comprove o envolvimento de Jardel com o crime organizado. Um vídeo, atribuído ao acusado, mostra criminosos ensinando técnicas de tortura, supostamente para serem aplicadas em tribunais do crime.

Conforme a advogada, os conteúdos veiculados pela imprensa se baseiam em “especulações infundadas”.

O Metrópoles não localizou a defesa de Layla Lima Ayub. O espaço segue aberto.



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