Uma das testemunhas que associou os irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio, a grupos paramilitares foi Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, apontado como ex-miliciano. As revelações foram feitas na investigação do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Os irmãos Brazão começaram a ser julgados nesta terça-feira, 24, no Supremo Tribunal Federal (STF), como mandantes do crime.

A execução da vereadora foi inserida no contexto da exploração do mercado imobiliário irregular por meio de grilagem de terrenos na Zona Sudoeste do Rio. A aliança dos irmãos com milicianos é um ponto-chave da denúncia porque, de acordo com a acusação, explica a motivação do atentado.  

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), a vereadora passou a ameaçar os interesses econômicos de Chiquinho e Domingos Brazão ao criar obstáculos, na Câmara Municipal, para o avanço de projetos de lei que pudessem viabilizar a regularização de seus negócios imobiliários ilegais em áreas dominadas pela milícia.

Orlando Curicica compartilhou com a PGR detalhes dos supostos negócios ilícitos do clã Brazão. O ex-miliciano detalhou que os irmãos controlavam bairros da Zona Sudoeste, “exploravam a área exigindo votos” e lucravam com terrenos ocupados ilegalmente. 

As defesas buscam descredibilizar a palavra de Orlando ao lembrar o histórico nada abonador do miliciano. Mas o vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, número dois da PGR, saiu em defesa do depoimento nesta terça no STF. O procurador comparou Orlando a detratores da máfia italiana. Chateaubriand argumentou que o miliciano foi “traído” e “excluído dos ajustes ilícitos” e, por isso, “quebrou o código de silêncio”.

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“Orlando tornou-se um arrependido, fez o que dele se esperava, forneceu depoimentos que são coerentes. Não importa se ele é ex-miliciano, o que importa é a coerência do que ele disse. Ele é testemunha, não é colaborador, não recebeu qualquer benefício”, defendeu o vice-procurador-geral.

Orlando Curicica chegou a ser preso na investigação da morte de Marielle. Uma testemunha plantada pelos mandantes tentou incriminá-lo, mas a versão foi desmontada posteriormente pelos investigadores.



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