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A aprovação da cobrança de taxas de visitação em Campos do Jordão, sofisticado destino no interior paulista, e Angra dos Reis, no litoral fluminense, há alguns meses, jogou lenha na polêmica já inflamada em torno desse assunto. Para alguns, essas tarifas – também chamadas de taxas turísticas ou de permanência –, são a única forma de exploração sustentável. Para outros, implicam na elitização destes pontos turísticos. Há também quem seja categórico ao afirmar que só com estas medidas é possível conter o overturism, a superlotação de turistas aqui e fora do país.

No epicentro desta discussão estão cidades como Veneza, na Itália, invadida por hordas de turistas todos os dias, que em 2024 passou a cobrar uma taxa para aqueles que visitam o local sem pernoitar. Barcelona segue a mesma filosofia, só que cobrando um valor adicional, diário, sobre o valor da hospedagem. Butão, conhecido como a nação mais feliz do mundo, foi mais radical nessa seara. Após a pandemia, estipulou em 100 dólares a taxa diária, por visitante, de “desenvolvimento sustentável”. É a mais alta aplicada por um país na área turística. Os visitantes, como era de se esperar, não gostaram. Esse debate, ao que tudo indica, ainda vai cruzar muitas fronteiras.

Veja a seguir exemplos de destinos turísticos, aqui e pelo mundo, que já impuseram taxas extras aos turísticas:
Veneza: Instituída em 2024, a taxa é obrigatória para visitantes que não vão pernoitar na cidade. Cobrada em 54 dias do ano, distribuídos na alta temporada europeia, ela varia de 5 euros, para quem paga com até 4 dias de antecedência; e de 10 euros para quem deixa para em cima da hora.
Barcelona: A cobrança por noite de estadia é composta por duas partes; a taxa turística regional e uma sobretaxa municipal. O valor pode variar entre 2 e 15 euros por pessoa, dependendo do tipo de alojamento ou da categoria de hotel que o turista esteja hospedado.
Berlim: Na cidade alemã é cobrado dos turistas 7,5% sobre o valor líquido da acomodação por noite, desde o início deste ano. A tarifa é aplicada tanto em estadias de lazer como de viagem de negócios.
Praga: Com a justificativa de financiar melhorias na cidade, a capital da República Tcheca aplica uma taxa de 50 coroas checas (equivalem a cerca de 2 euros), por noite. A cobrança é limitada a no máximo 60 dias e não vale para menores de 18 anos.
Paris: Em vigor desde janeiro de 2024, a taxa varia de acordo com a categoria da acomodação. Os valores vão de cerca de 2,6 dólares para hotéis de uma estrela a 14,95 para hotéis-palácios, cobrados por pessoa por noite.
Amsterdam: Aplicada com a justificativa de que sua renda se reverte na melhoria dos moradores locais, a taxa de turismo na cidade é de 12,5% sobre o custo do alojamento.
Los Angeles: A cidade tem uma das maiores taxas de permanência dos Estados Unidos sobre o valor da hospedagem. Cobrada desde este ano, ela varia de 14% a 15,5% do custo do quarto.
Butão: Conhecida como a taxa turística mais alta do mundo, ela foi reajustada pelo país, localizado no Sul da Ásia, significativamente após a pandemia, em setembro de 2022. Cada pessoa tem que pagar 100 dólares por noite no país considerado o mais feliz do mundo.
Dubrovnik: A cidade, localizada no Sudeste da Croácia, cobra uma tarifa de estadia diária por pessoa, por noite, que altera conforme a época do ano e o tipo de acomodação. Em média sai a 2,65 euros por cada dia que o visitante fica no local.
Ilha de Páscoa: Voltada para a preservação de seu patrimônio cultural, a taxa cobrada dos turistas estrangeiros é de 80 dólares. Ela deve ser paga no aeroporto ou no Centro da cidade e dá acesso ao Parque Nacional Rapa Nui por 10 dias. Os chilenos pagam menos, cerca de 20 dólares.
Fernando de Noronha: Desde 1989, é cobrada no arquipélago uma taxa de preservação ambiental aos seus visitantes. Desde 2025, o valor, que hoje está em 101,33 reais por dia, passou a ser reajustado anualmente baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Jericoacoara: A cidade no litoral cearense aplica uma taxa de permanência no valor de 41,50 reais para até 10 dias. A partir dessa quantidade, há um acréscimo de 4,15 reais por dia extra.
Ubatuba: A partir de 2023, a cidade no litoral paulista implementou uma taxa obrigatória, diária, para veículos visitantes, sob alegação de minimizar os impactos ambientais do fluxo turístico. O valor cobrado é de 3,69 reais para motocicletas e 13,73 reais para veículos de pequeno porte.
Abrolhos: Quem visita aquele parque nacional marinho precisa pagar uma taxa diária. Os valores são diferenciados: estrangeiros pagam 104 reais, turistas do Mercosul 78 reais, brasileiros 52 reais e moradores da região 10 reais.
Gramado: Chamada de Taxa de Turismo Sustentável, ela implica na cobrança de 3,28 reais por dia aos visitantes. Ela foi criada com a justificativa de que irá custear melhorias na infraestrutura e no turismo local.
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