
O técnico do Flamengo, Filipe Luís, viu-se no centro de uma intensa polêmica, após suas declarações sobre o novo episódio de racismo sofrido por Vini Jr., ocorrido durante o confronto entre Benfica e Real Madrid. Na última quinta-feira, dia 19, logo após a derrota do rubro-negro para o Lanús, na Argentina, o treinador foi questionado sobre as ofensas proferidas pelo jogador Gianluca Prestianni contra o atacante brasileiro.
Em uma manifestação que gerou imediata repercussão negativa, Filipe Luís classificou o ocorrido como um “caso isolado” e afirmou que a situação se resumia à “palavra de um contra a do outro”, ressaltando ainda que, em sua experiência pessoal, sempre foi muito bem tratado em território argentino. A fala foi interpretada por torcedores, jornalistas e ativistas como uma tentativa de minimizar a gravidade do racismo sistêmico enfrentado por Vini Jr. na Europa, especialmente pelo uso de termos que sugeriam dúvida sobre o relato da vítima.
Diante da enxurrada de críticas e da pressão interna e externa, o comandante flamenguista utilizou os canais oficiais nesta sexta-feira, 20, para recuar e oferecer um novo posicionamento. Em nota de esclarecimento, Filipe Luís buscou corrigir o tom de suas falas anteriores, assegurando que jamais pretendeu colocar em xeque a veracidade do depoimento de Vini Jr. ou a seriedade da denúncia.
O técnico reiterou seu apoio integral ao atacante do Real Madrid, lamentou o episódio no Estádio da Luz e admitiu que o racismo é um problema persistente que não pode ser tratado como um fato esporádico. A mudança de postura ocorreu no mesmo dia em que o Benfica e o atleta Prestianni negaram as acusações, enquanto a Uefa confirmava a abertura de uma investigação disciplinar baseada no protocolo antirracismo acionado durante a partida em Lisboa.
Leia a nota na íntegra:
Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.
Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.
Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.
Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.
Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune”.