Para Pietro, 20, e as gêmeas Sofia e Antônia, 15, ela é simplesmente mãe. Mas, para o Brasil, Giovanna Antonelli é um ícone da teledramaturgia que atravessa gerações. Ainda assim, é no olhar dos filhos que ela encontra seu espelho mais fiel e seu aprendizado mais constante.
Em uma fase de renovação e efervescência profissional, a atriz conta à CNN Brasil como a autonomia dos três tem permitido que ela redescubra a própria liberdade, sem abrir mão da presença que sempre marcou sua trajetória.
Enquanto eles crescem e trilham os próprios caminhos, Giovanna se reorganiza, mantendo a essência do que acredita ser o papel de mãe. Para ela, o tempo não diminui a intensidade do vínculo.
“Eu nunca pude parar. Então eles vão ganhando autonomia, e eu vou me reorganizando. Sigo presente, mas continuo construindo e vivendo intensamente. Bom mesmo é equilibrar. Até porque tudo muda o tempo todo. Mas é bonito acompanhar minhas crias bem de perto”, diz.
Questionada se o “ser mãe” mudou de peso ou ganhou novos espaços na rotina em relação há uma década, ela é enfática: não. “Ser mãe nunca mudou de lugar pra mim. O que muda é a forma, porque eles crescem, mas a presença continua igual. Eu sigo perto, envolvida e acompanhando. O lugar é o mesmo, só amadurece junto comigo”, garante.

O “zen” na agitação empreendedora
Mesmo com a rotina intensa de gravações e sua faceta empreendedora a todo vapor, Giovanna tem buscado no autoconhecimento o fôlego necessário para seguir em movimento. Essa busca por uma vida mais espiritualizada não anula sua agitação natural, apenas a organiza.
“O espiritual me salva, me direciona, me equilibra pra poder continuar em movimento, com cada vez mais intenção e propósito”, revela.
Para ela, a espiritualidade também funciona como uma ferramenta prática de gestão pessoal: “Organizo minha energia. Sou agitada, crio, trabalho muito… isso é meu. Mas também pauso e me escuto. Tenho mais consciência do que estou fazendo”.
Memórias que atravessam gerações
Estrelando a nova campanha da joalheria Monte Carlo, a atriz enxerga as peças como extensões das histórias que vive ao lado dos próprios filhos.
“Eu vejo joia como um marcador de tempo. Ela registra um momento, uma fase, uma relação… e isso atravessa gerações de um jeito muito potente”, garante.
Ela revela ainda que o destino de suas joias pessoais já está traçado. “Eu tenho peças que marcaram momentos importantes da minha vida, e sei que isso vai chegar nelas de alguma forma”.
O “filtro” dos 50? Liberdade e intuição
Ao completar 50 anos em março, Antonelli descreve uma mudança interna significativa na forma como se relaciona com o mundo exterior. A maturidade trouxe uma espécie de peneira emocional que ela não possuía no início da carreira.
“No começo, a gente tenta corresponder a muitas coisas, expectativas, olhares dos outros. Com o tempo, isso cai. Hoje valorizo o que me representa, o que tem intenção e verdade. Gosto de estar mais alinhada comigo”, conta.
Hoje, Giovanna não se prende a rótulos de idade. As cinco décadas apenas ajustaram seu filtro. “Escuto menos o barulho de fora e mais o que levo comigo. A expectativa dos outros sempre vai existir — é um mal humano (risos) —, mas deixou de ter peso. Minha liberdade é uma escolha”.
Nesse processo, ela também deixou muita coisa para trás. “Não carrego mais gente chata, gente que não quer aprender, crescer. Estou mais seletiva com meu tempo. Gosto de estar perto de quem soma, de quem movimenta”.

Protagonismo na prática
Depois de grandes sucessos na TV aberta, Giovanna passou a explorar novos caminhos. Além de estrelar “Beleza Fatal”, da HBO Max, e rodar o longa “Rio de Sangue”, ela também foi confirmada na segunda temporada de “Tremembé”, do Prime Video, série que retrata a vida de alguns dos maiores prisioneiros do país.
Para ela, essa nova fase amplia as possibilidades de narrativa. “Estou amando contar boas histórias, construir personagens. Isso me interessa. Gosto de me provocar, de sair do lugar confortável. Esses novos formatos me puxam pra isso. No fim, o que me move é uma história que me toca e um personagem que me desafia”.
“O que me seduz hoje é o que me tira do lugar comum. Pode ser obra longa ou curta — o que mudou foi meu critério. Hoje faço o que escolho e me apaixono”, afirma.
Enquanto se dedica a palestras sobre protagonismo feminino, dentro de casa ela acredita que a melhor educação vem do exemplo.
“Não faço discurso em casa. Elas aprendem muito mais vendo do que ouvindo. Mostro na prática o que é independência, o que é correr atrás e sustentar escolhas. Converso sobre responsabilidade, saber se posicionar e, principalmente, saber dizer não. Protagonismo não é o que você fala — é o que você vive todos os dias”.