Os comentaristas Alessandro Soares e Helio Beltrão discutiram, nesta quinta-feira (19), no quadro Liberdade de Opinião, sobre a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos reajustes para servidores do Poder Legislativo, além do TCU (Tribunal de Contas da União).

Lula ainda vetou penduricalhos que poderiam ultrapassar o teto constitucional — fixado em cerca de R$ 46,3 mil mensais. A medida foi publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) da última quarta-feira (18). 

Soares defende que, mesmo em ano eleitoral, o presidente acertou no veto dos penduricalhos e considerou a decisão uma “medida corretíssima”.

“A gente tem uma situação em que você tem um desequilíbrio de remunerações dos servidores públicos e você tem, ao longo do tempo, decisões que são tomadas, não só pelo Congresso Nacional, mas por diversos Poderes da República, muitas vezes por atos internos, que acabam alterando a remuneração dos servidores, particularmente daqueles servidores que estão na estrutura mais alta do Estado brasileiro. São aqueles que já recebem a melhor remuneração, que além de serem ilegais, elas ultrapassam o teto constitucional”, afirmou o comentarista. 

Já Beltrão se concentrou no que, para ele, representa o veto. “Embora o Lula tenha vetado o estouro desse teto constitucional, ele provou as mamatas”. 

“A dívida pública não é uma cifra abstrata, é uma promessa de a população pagar imposto no futuro. É preciso olhar para o que não se vê, como o crescimento que não acontece, o emprego que não é criado, a renda que não aumenta. A gente vai ficando para trás em relação aos nossos pares, justamente porque os recursos da sociedade foram engolidos por um Estado guloso. Se a despesa cresce acima da Receita e do PIB, a dívida explode, nenhum país sustenta isso. Vai ser preciso uma profunda reforma do Estado, coisa que esse governo não vai fazer agora”, pontuou. 

Reações ao desfile sobre Lula

Durante desfile no último domingo (15), a escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula, retratou famílias “tradicionais” dentro de latas de alimento em conserva — em uma representação ao conservadorismo.

A iniciativa atraiu reações negativas de membros da direita e da comunidade evangélica. A agremiação foi rebaixada para a Série Ouro em 2027. 

Soares desacredita que as críticas ao desfile e o rebaixamento da escola possam interferir no processo eleitoral. 

“Já virou um acontecimento político e a extrema direita está fazendo a tarefa dela, que é basicamente se aproveitar desse momento para dizer: ‘Olha, caiu a escola e esse é o impacto eleitoral’. Mas eu diria que é muito cedo para dizer qualquer coisa”, disse. 

Para Beltrão, “quem quer tenha bolado essa jogada ensaiada, cometeu um erro espetacular”. 

“Foi um desfile, tecnicamente, muito ruim e com uma escolha política péssima, até para o Lula, que precisa de votos do centro. Foi um desfile feito para lulista, e por isso não vai render voto nenhum a mais”, afirmou. 

Inquérito sobre vazamentos de dados

A PF (Polícia Federal) cumpriu nesta semana mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra suspeitos de vazarem dados fiscais sigilosos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus parentes. 

A ordem para a operação foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A ação foi deflagrada no âmbito de uma investigação aberta dentro do inquérito das fake news. 

Na avaliação de Soares, a determinação do ministro como “completamente inadequada com relação a esse inquérito”. 

“Quando tem uma situação em que você começa a atuar de uma maneira muito deliberada e com traços de arbitrariedade, você tem nitidamente abusos”, concluiu o comentarista. 

Beltrão considerou a atuação de Moraes como uma “canetada ilegal” e destacou que o acontecimento dividiu opiniões de membros do Supremo. 

“Tudo no inquérito das fake news sempre foi sigiloso, mas estranhamente o ministro Alexandre de Moraes resolveu tornar público agora só o nome dos suspeitos. O servidor da Receita não tem foro privilegiado, ele não pode ser julgado pelo STF”, justificou. 

O quadro Liberdade e Opinião vai ao ar todas terças e quintas-feiras às 7h30 durante o CNN Novo Dia



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