
Um jovem português de 18 anos começou a ser julgado a portas fechadas nesta quinta-feira, 19, no norte de Portugal, sob acusação de ter incentivado, por meio das redes sociais, um adolescente brasileiro a cometer um ataque a tiros em uma escola no interior de São Paulo, em 2023.
O processo tramita sob sigilo no Tribunal de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, onde o réu vivia até ser preso preventivamente, em maio de 2024. Ele responde por provocação pública para a prática de crime, incitação ao ódio e à violência, associação criminosa e mais de 200 crimes relacionados a pornografia infantil.
De acordo com o Ministério Público português, o acusado comandava um grupo de jovens na plataforma Discord dedicado à prática e à divulgação de atos de extrema violência contra pessoas e animais. As investigações apontam que integrantes do grupo compartilhavam registros dos crimes em ambientes virtuais fechados.
Entre os episódios relacionados ao caso está o ataque ocorrido em outubro de 2023 em uma escola no estado de São Paulo, quando um estudante de 16 anos abriu fogo contra colegas. Uma aluna de 17 anos morreu e outros três estudantes ficaram feridos. As autoridades brasileiras também afirmam ter impedido, na mesma época, ao menos outros três planos de atentado articulados por adolescentes entre 12 e 14 anos.
Na primeira audiência, o réu optou por permanecer em silêncio. Seu advogado, Carlos Duarte, afirmou à agência Lusa que o jovem “não é um monstro” e negou que ele exercesse liderança sobre o grupo investigado.
Conhecido na internet pelo pseudônimo “Mikazz”, o acusado mantinha, segundo a inspetora da Polícia Judiciária responsável pela investigação, Ana Rita Alves, “uma vida paralela no ambiente digital”, na qual atuava como líder de uma comunidade voltada à prática e à exposição de atos de violência extrema.
O julgamento deve prosseguir nos próximos dias, com a oitiva de testemunhas e a apresentação de provas reunidas ao longo da investigação conduzida pelas autoridades portuguesas.