
Os mercados encerram em tom negativo nesta segunda-feira, 18. Os principais catalisadores são a continuidade das tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e os índices econômicos importantes divulgados no Brasil. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou em baixa de 0,17%, aos 176,9 mil pontos.
No exterior, o contexto voltou a piorar diante das incertezas envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump. A falta de um acordo concreto entre o país norte-americano e o Irã gera inseguranças e, somado a isso, o republicano publicou em seu perfil na Truth Social mensagens de forte teor ameaçador, afirmando que “o tempo está correndo” e que, caso Teerã não aja rapidamente, “não sobrará nada”. Foi, até aqui, o posicionamento mais duro desde o início da discussão sobre um cessar-fogo na região.
O Irã, por sua vez, afirmou nesta manhã que respondeu à proposta mais recente dos Estados Unidos para acabar com a guerra e que as negociações prosseguem com Washington. O cenário faz com que o barril de petróleo brent continue cotado a cerca de 108 dólares.
“Esse comportamento mostra uma preocupação crescente com pressões inflacionárias adicionais, o que naturalmente joga um balde de água fria sobre a expectativa de cortes de juros nos EUA no curto prazo”, afirma Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
No cenário doméstico, o destaque foi a divulgação do Boletim Focus semanal, em que os economistas consultados pelo Banco Central subiram levemente as expectativas de inflação de 4,91% para 4,92%, novamente acima do teto da meta de 4,5%. As projeções para a taxa básica de juros, a Selic, também se elevaram: de 13% ao ano para 13,25% ao ano. O número ainda representa um corte na taxa de juro, que está em 14,5%.
Outro indicador na agenda econômica foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a prévia do PIB, que caiu 0,7% em março ante fevereiro de 2026. O resultado veio abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava recuo de 0,4%, após alta de 0,6% no mês anterior.
Correia aponta que “o resultado de março acende um alerta e mostra que o crescimento começa a perder tração justamente em um momento em que o mercado ainda convive com expectativas inflacionárias desancoradas.”
Por fim, o dólar, que recuou mais de 1% hoje e voltou aos 4,99 reais hoje, realiza lucros após o escândalo financeiro envolvendo Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ, e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Somado a isso, as expectativas de alta na taxa Selic pelo Focus reforçam a perspectiva de juros brasileiros elevados por mais tempo, o que ajuda a sustentar o real.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado: