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O jornal francês Libération publicou nesta sexta-feira, 13, trechos de um depoimento à polícia dado pelo mordomo de Jeffrey Epstein em Paris, o brasileiro naturalizado francês Valdson Vieira Cotrin. De acordo com os registros de um interrogatório feito em 2019, cuja transcrição foi obtida pela publicação, o funcionário observou “um fluxo constante de mulheres jovens e magras” no apartamento do financista americano, condenado em 2019 por uma rede de exploração sexual.

No entanto, o mordomo de 66 anos negou ter conhecimento de visitas de menores de idade.

“Me dá arrepio imaginar as coisas que falam dele. Em nenhum momento vi meninas. Eu não olhava os documentos delas, mas para mim, fisicamente, não havia menores”, contou Cotrin aos investigadores, segundo o veículo francês.

Cotrin cuidava do apartamento de 8 mil metros quadrados do bilionário na avenida Foch, em um dos bairros mais nobres de Paris, onde trabalhou por dezoito anos como mordomo. Foi ele que, em 2019, levou Epstein ao aeroporto de Le Bourget para que ele pudesse embarcar em seu jato particular rumo aos Estados Unidos — um voo que terminou com sua prisão na pista de um aeroporto em Nova Jersey.

Em setembro de 2019, o brasileiro naturalizado interrogado pela brigada de polícia francesa encarregada da repressão de violência a pessoas, um mês após a morte do empresário americano em uma prisão de Nova York, como parte de uma investigação sobre a suposta rede de prostituição comandada por Epstein e o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel — que teria sugerido ao amigo comprar uma agência de modelos brasileira para, supostamente, aliciar garotas.

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No depoimento, ele descreveu os hábitos perturbadores de seu patrão. Contou das visitas constantes de “jovens muito elegantes”, possivelmente modelos, e lembrou de ocasião em que Epstein comentou, a respeito de uma delas: “Valdson, I don’t like” (“Eu não gosto”). O mordomo entendeu a frase como uma preferência por mulheres mais magras.

Em outro relato, falou de uma viagem de Epstein e sua namorada Ghislaine Maxwell, condenada e presa como sua cúmplice, a Saint-Tropez, no sul da França, em 2003. Lá, disse ter presenciado “um balé incessante” de mulheres “que iam e vinham a cada dois ou três dias”. Além disso, afirmou que as paredes do apartamento no balneário eram repletas de retratos de mulheres nuas.

Em sua conta no Facebook, Cotrin se apresenta como goiano de Luziânia. Em agosto de 2025, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, ele disse que Epstein “amava a vida demais” para se suicidar. O ex-mordomo também postou na mesma rede uma foto com o americano, em 2019, dentro do seu jatinho, que foi reproduzida pelo diário londrino.



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