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Mais de 1.000 prédios residenciais ficaram sem aquecimento em Kiev, na Ucrânia, após a Rússia lançar um ataque contra a infraestrutura energética do país na madrugada desta terça-feira, 3. A ofensiva violenta marcou o fim de uma trégua temporária firmada há uma semana, a pedido do presidente americano, Donald Trump, para azeitar negociações trilaterais nos próximos dias.

Contando com 450 drones e cerca de 70 mísseis, a investida ocorreu em meio a uma das noites mais frias do inverno, com temperaturas chegando a -20°C.

“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia”, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em uma publicação no X (antigo Twitter).

Zelensky pediu aos parceiros de Kiev que aumentem o fornecimento de mísseis para sistemas de defesa aérea, visando proteger a “vida normal” dos ucranianos. O mandatário também apontou que a ação russa é um indicativo da importância de seguir pressionando Vladimir Putin. “Sem pressão, não haverá fim para essa guerra. Moscou está optando pelo terror e pela escalada, e é por isso que é necessária a máxima pressão”, disparou.

De acordo com informações da empresa privada DTEK, esse é o nono ataque massivo ao setor energético desde outubro. A empresa aponta que duas de suas usinas foram atingidas durante a madrugada, ambas voltadas exclusivamente à calefação de residências — o que as configura como infraestrutura civil.

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Além das usinas de aquecimento, outras instalações elétricas foram atingidas em diferentes cidades, como Kiev e Dnipro. Os ataques dessa madrugada intensificam ainda mais os danos causados por ofensivas anteriores, deixando o sistema sob “sérias restrições”, segundo a DTEK.

Consequências

Na capital ucraniana, 1.170 edifícios ficaram sem luz. Cenário semelhante ocorreu em Kharkiv, no nordeste do país, onde mais de 800 prédios perderam capacidade de calefação. De acordo com a emissora pública Suspline, outras cidades como Izium e Balakliia também tiveram a rede de energia comprometida.

“O objetivo é claro: causar a máxima destruição e deixar a cidade sem aquecimento em meio ao frio intenso”, disse o prefeito de Kharkiv, Oleksiy Kuleba, no Telegram.

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Segundo a Convenção de Genebra, promover ataques contra infraestrutura civil é um potencial crime de guerra. Uma vez que isso ocorre, se torna mais difícil realizar reparos devido ao conflito, e o sistema como um todo se torna mais frágil e propenso a apagões. Embora equipes de engenheiros venham trabalhando para resolver o problema de forma constante em toda a Ucrânia, não há trabalhadores suficientes para atender à demanda.

A ofensiva russa não se deteve à infraestrutura elétrica, também atingindo casas. Moradores de Kiev relataram uma série de fortes explosões ao longo da madrugada. Cinco distritos da capital ucraniana foram atingidos, e um apartamento nos andares superiores de um prédio residencial foi consumido pelas chamas. Até o momento, foram registrados pelo menos nove feridos no episódio.

Negociações

O episódio ocorreu um dia após o término da trégua temporária acordada entre o presidente Donald Trump e Vladimir Putin. Na última quinta-feira 29, o americano disse ter pedido a seu homólogo na Rússia que suspendesse os ataques devido ao frio excepcional. “Ele concordou. E devo dizer que fui muito gentil”, disse o republicano na ocasião.

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A trégua foi confirmada pelo Kremlin, com o porta-voz Dmitry Peskov afirmando que o acerto seria válido até domingo, 1º. O objetivo declarado seria “criar condições mais favoráveis para as negociações” de cessar-fogo, que devem ocorreu ainda nesta semana em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O encontro envolverá autoridades da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos, e ocorre em meio a relatos de que Kiev aceitou um plano de várias etapas para o fim da guerra. De acordo com informações do jornal Financial Times, o plano estabelece que uma violação do tratado por parte de Moscou geraria uma resposta escalonada, que poderia chegar a uma intervenção militar por uma coalizão de países — incluindo os Estados Unidos — no pior dos casos.



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