
“Eu não só não era amigo de Jeffrey Epstein como, com base em informações que acabam de ser divulgadas pelo Departamento de Justiça, Epstein e um ‘autor’ mentiroso e canalha chamado Michael Wolff conspiraram para me prejudicar e/ou prejudicar minha Presidência”, escreveu.
Em um e-mail divulgado, datado de fevereiro de 2016, Wolff sugere a Epstein que o financista seria o “projétil” que poderia acabar com a campanha presidencial de Trump.
Imagens de arquivo obtidas pela emissora americana CNN no ano passado confirmaram, pela primeira vez, que Jeffrey Epstein esteve presente no casamento de Donald Trump com Marla Maples, em 1993, intensificando a pressão sobre o presidente dos EUA por seus laços com o bilionário. Outras imagens, de um evento de moda da Victoria’s Secret, em 1999, mostram Trump e Epstein rindo e conservando antes de um desfile em Nova York. Quando questionado sobre as fotos do casamento, Trump respondeu: “Você deve estar brincando comigo”, antes de falar repetidamente em “fake news”.
O caso mais recente integra uma nova leva de documentos divulgados nesta sexta-feira no âmbito da investigação sobre a rede de exploração sexual operada por Epstein, que fez fortuna no mercado financeiro e foi condenado por abusar sexualmente de menores. O principal epicentro dos crimes era uma ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, frequentemente visitada por convidados que viajavam no avião privado do financista, apelidado de “Lolita Express”. O empresário morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
Segundo o vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, o material inclui milhares de documentos, além de mais de 2.000 vídeos e cerca de 180.000 imagens, muitas delas contendo pornografia comercial. De acordo com o Departamento de Justiça, as imagens de mulheres serão censuradas, com exceção das que envolvem Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein e condenada por auxiliar o esquema de abuso sexual.
Segundo Blanche, a divulgação atual marca a fase final do processo de revisão conduzido pelo Departamento de Justiça para garantir transparência e cumprimento da lei. Ele também afirmou que a Casa Branca não interferiu na liberação do material. “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”, declarou.
Documentos divulgados anteriormente lançaram luz sobre os vínculos de Epstein com executivos, celebridades, acadêmicos e políticos, incluindo Donald Trump e o ex-presidente Bill Clinton.
Talvez os documentos mais significativos divulgados até agora sejam dois e-mails do FBI, de julho de 2019, que mencionam dez “co-conspiradores” de Epstein. Apenas Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, foi acusada em relação a seus crimes, e os nomes dos supostos “co-conspiradores” aparecem tarjados nos e-mails. Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão por recrutar menores para Epstein, cuja morte foi declarada suicídio.
Trump, antigo amigo próximo de Epstein, e Clinton aparecem de forma destacada nos arquivos publicados até o momento, mas não foram acusados de nenhum crime.
No início do mês, um documento judicial revelou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia divulgado apenas 1% dos arquivos do caso Jeffrey Epstein. Em uma atualização de cinco páginas, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, informou que proteger as identidades das vítimas era sua principal prioridade, o que levou a atrasos. Antes da liberação desta sexta, haviam sido divulgados 12.285 documentos, totalizando 125.575 páginas.
Os arquivos começaram a ser divulgados após a sanção, em novembro, da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. No entanto, os democratas, que lideram o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, acusam o governo de Donald Trump de reter documentos e retardar o processo de maneira intencional, com o objetivo de supostamente proteger o presidente. O republicano foi citado em várias páginas e pode ser visto em uma série de fotos ao lado de Epstein tornadas públicas até o momento.
Como promessa de campanha, Trump disse que liberaria os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano publicou arquivos sobre a investigação, um clima de insatisfação tomou conta: as informações divulgadas já eram conhecidas. Pressionado, o presidente dos EUA virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que está em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.