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Ex-primeiro-ministro da Itália e ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi alertou nesta segunda-feira, 2, que a atual ordem econômica mundial está “morta”, instando a Europa a superar “divisões antigas” para se tornar uma “potência real” e responder às ameaças impostas pelos Estados Unidos e pela China.

Segundo Draghi, desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os EUA deixaram “claro, pela primeira vez, que a fragmentação política europeia serve aos seus interesses”. “A Europa corre o risco de ficar subordinada, dividida e desindustrializada. E uma Europa que não consegue defender seus interesses não preservará seus valores por muito tempo”, alertou durante discurso na Universidade belga Ku Leuven, onde recebeu título de Doutor Honoris Causa da instituição.

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“De todos os que se encontram atualmente entre os EUA e a China, só os europeus têm a opção de se tornarem eles próprios uma verdadeira potência. Por isso, temos de decidir: continuamos a ser apenas um grande mercado, sujeito às prioridades dos outros? Ou damos os passos necessários para nos tornarmos uma potência?”, questionou. 

Ao falar sobre a atual ordem econômica mundial, Draghi afirmou que “o colapso desta ordem em si não é a ameaça: … a ameaça é o que pode substituí-la”.

Para o político, “o poder exige que a Europa passe de confederação a federação”, porque a ordem global está “agora morta”.

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“Um mundo com menos comércio e regras mais fracas seria doloroso”, acrescentou.

O ex-presidente do Banco Central Europeu ainda citou a Groenlândia em meio a uma crise diplomática por ameaças de Trump de uma eventual tomada de território. “Na Groenlândia, prova de solidariedade e determinação da UE”, disse. 

Uma pesquisa recente da revista francesa de geopolítica Le Grand Continent revelou que a maioria dos europeus (51%) considera Donald Trump “um inimigo da Europa”. O levantamento foi realizado pelo instituto Cluster17 em sete países da União Europeia — França, Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha, Dinamarca e Polônia — após o americano expressar seu desejo de anexar a Groenlândia, um território dinamarquês.

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Ainda segundo a pesquisa da Cluster17, no contexto internacional cada vez mais tenso, 73% dos entrevistados acreditam que a União Europeia deve garantir sua própria defesa no futuro sem depender do apoio dos Estados Unidos, em comparação com 22% que ainda acreditam ser possível contar com Washington.

Os Estados Unidos, a maior potência militar do mundo e detentora de bombas atômicas, são o principal membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar transatlântica da qual todos os países entrevistados fazem parte.

Durante décadas, nações europeias reduziram seus gastos com defesa devido à confiança de que Washington viria em seu auxílio e na crença de que o mundo pós-Guerra Fria seria marcado pelo pacifismo. Agora, se encontram em uma situação de acentuada dependência dos americanos, que há anos exigem que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria proteção — uma demanda que ficou ainda mais incisiva no governo Trump.



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