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Um levantamento realizado pela Academia Internacional de Direito Humanitário e Direitos Humanos de Genebra apontou que o direito internacional que busca limitar os efeitos de guerras está em ponto de ruptura, com mais de 100.000 civis mortos e o aumento de casos de tortura e estupro. As conclusões foram publicadas em artigo do jornal britânico The Guardian nesta segunda-feira, 2.

O estudo, intitulado War Watch, analisa 23 conflitos armados nos últimos 18 meses e descreve as mortes de 18.592 crianças em Gaza, o aumento das vítimas civis na guerra da Ucrânia e uma “epidemia” de violência sexual na República Democrática do Congo.

Citando a falta de esforços internacionais para evitar tais violações, o War Watch conclui que o direito internacional humanitário (DIH) está em “um ponto crítico de ruptura”. Segundo o estudo, “graves violações do direito internacional humanitário foram provocadas em grande escala e com impunidade desenfreada”.

“Os crimes de atrocidade estão sendo repetidos porque os do passado foram tolerados. Nossas ações — ou inações — determinarão se o direito humanitário internacional desaparecerá completamente”, disse Stuart Casey-Maslen, o autor principal do estudo, ao Guardian. 

O levantamento é um contraponto às alegações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que diz ter encerrado oito guerras durante seu primeiro ano de mandato. 

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Crimes de guerra

Apesar de um cessar-fogo ter sido acordado em outubro do ano passado, o levantamento aponta que a população total de Gaza caiu cerca de 254.000 pessoas, um declínio de 10,6% em comparação com as estimativas pré-conflito. Ao todo, 18.592 crianças e cerca de 12.400 mulheres foram mortas até o final de 2025.

Na Ucrânia, mais civis foram mortos em 2025 do que nos dois anos anteriores, com um total registrado de 2.514 mortes. Segundo o War Watch, o número indica um aumento de 70% no número de mortos em relação a 2023.

O documento ainda destaca o aumento de abusos sexuais em conflitos armados na República Democrática do Congo e no Sudão. As vítimas variam de bebês de um ano a mulheres de 75 anos.

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Apesar de todos os países serem obrigados a “respeitar e garantir o respeito” pelo direito internacional humanitário “em todas as circunstâncias”, sob as Convenções de Genebra, os autores do relatório argumentam que, na prática, o cenário atual permite que mais crimes de guerra ocorram.

“Abordar a impunidade generalizada por violações graves do direito internacional deve ser tratada como uma prioridade política”, afirma o estudo War Watch.

Como soluções possíveis para diminuir os crimes de guerra, os autores do estudo propõem a proibição da venda de armas por todos os países para regiões “onde há um claro risco de que as armas ou munições a serem entregues sejam usadas para cometer ou facilitar graves violações” do direito internacional humanitário, além de restringir drones e inteligência artificial visando civis e proibir o uso de bombas não guiadas ou artilharia de longo alcance imprecisa em áreas habitadas. 



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