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Em meio à cruzada anti-imigração do presidente americano, Donald Trump, a presença de agentes de imigração em cidades por todo o país aumentou drasticamente nos últimos meses. Na mesma proporção também aumentaram as tensões.

Em menos de um ano, a população nos centros do ICE, a polícia migratória, aumentou quase 50%. No mesmo período, mais de 352 mil imigrantes foram presos e deportados. A superlotação tornou-se regra, com unidades operando acima da capacidade contratada.

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O estado de Minnesota tornou-se símbolo da agressiva política de deportações em massa da Casa Branca. Para lá, Trump enviou 3 mil agentes federais de imigração como parte da “Operação Metro Surge”, que provocou indignação pela morte de dois civis americanos, baleados por agentes ICE e da CBP, a patrulha de fronteiras, em Minneapolis, a principal cidade do estado governado pelo democrata Tim Walz.

Além das mortes, imagens da detenção de Liam Conejo Ramos, uma criança de 5 anos que usava um gorro azul com orelhas de coelho e uma mochila do Homem-Aranha quando foi colocado sob custódia por um policial de imigração, rodaram o mundo e inflamaram a ira da população.

Em meio à violência e aos temores, organizações civis passaram a informar imigrantes sobre como lidar com possíveis operações. Em suas orientações online, o Centro Nacional de Justiça para Imigrantes (National Immigrant Justice Center) afirma que indivíduos e comunidades podem criar um “plano de segurança” para se prepararem da melhor forma possível caso agentes do ICE cheguem à região.

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Tal plano pode incluir a identificação de familiares, amigos ou colegas de confiança que possam servir como contatos de emergência para pessoas que possam ser alvo de ações federais de imigração, ou qualquer pessoa que possa entrar em contato com agentes. “Se você sabe que corre um risco específico de deportação, pode considerar medidas adicionais, como nomear um tutor de emergência para seus filhos e uma procuração”, diz o texto.

Nas ruas, há também estratégias para alertar imigrantes sobre possíveis perigos. Em Minneapolis e St. Paul, voluntários formaram redes para alertar com apitos e aplicativos de celular quando agentes do ICE estiverem em patrulhas. Grupos de Telegram, aplicativo visto como mais seguro que o WhatsApp por não precisar estar atrelado a um número de celular, também dão atualizações sobre locais em que há ações policiais.

Há relatos de casos em que voluntários usaram drones para monitoramento de algumas ruas próximas a áreas onde comunidades imigrantes são mais numerosas, já que nos EUA não é necessário registro ou permissão para drones utilizados para voos recreativos.

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Com medo, muitos desenvolveram estratégias de não falar nem inglês em público, para não ser denunciado pelo sotaque, e vestir-se como um americano típico. Joana (nome fictício), por exemplo, prefere não arriscar. Há meses ela permanece praticamente reclusa depois que o marido, um operário da construção civil, foi obrigado a deixar o país após 20 anos construindo túneis na América.

“Meu marido sonhava em ver nossa filha formada”, contou ela a VEJA, aos prantos. Joana ficou com a jovem de 20 anos até que ela possa concluir a universidade. Nascida nos Estados Unidos, ela poderá seguir no país desde que apartada dos pais. Sob Trump, até quem nasce em território americano pode ser visto como um estrangeiro.

Alguns imigrantes passaram também a evitar ao máximo sair de casa. Há comunidades em que pessoas americanas se revezam para fazer compras de alimentos e itens básicos para que famílias de imigrantes não tenham que se expor. Se precisar sair, organizações de direitos civis alertam para alterar horários e rotas de deslocamento, especialmente para o trabalho.

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Um foco de muitas organizações tem sido, por exemplo, explicar a diferença entre um mandado judicial assinado por um juiz, que dá às autoridades o direito de entrar na casa de uma pessoa, e os mandados administrativos que os agentes do ICE frequentemente portam, mas que não lhes conferem esse direito. “Não abra a porta para o ICE” é um conselho comum.



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