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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que a organização está sob risco de “colapso financeiro iminente em uma carta a Estados-membros divulgada pela agência de notícias Reuters nesta sexta-feira, 30. No texto, Guterres citou taxas não pagas como uma das principais causas do cenário e advertiu que o cenário exige uma “reformulação fundamental” da entidade. O alerta vem na esteira da saída dos Estados Unidos de mais de 60 agências da ONU e cortes no financiamento americano.

“A crise está se aprofundando, ameaçando a execução dos programas e correndo o risco de um colapso financeiro. E a situação deverá se deteriorar ainda mais em um futuro próximo”, escreveu o secretário na carta enviada aos membros da organização, datada de 28 de janeiro.

Guterres também apontou que o dinheiro da organização pode acabar até julho, e que é necessário que os Estados-membros “cumpram suas obrigações de pagar integralmente e dentro do prazo”. Do contrário, seria preciso “reformular fundamentalmente” as regras financeiras das Nações Unidas para evitar um “colapso financeiro iminente”.

+ Trump ordena retirada dos EUA de 66 organizações internacionais

O momento de instabilidade financeira que assola a ONU ocorre após seu maior contribuidor, os Estados Unidos, cortarem drasticamente o financiamento voluntário, que respondia por cerca de um quinto do total dos fundos. Além de interromper o apoio, Washington também se recusou a fazer pagamentos obrigatórios de taxas.

A tensão foi resultado direto do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Notório crítico do multilateralismo e instituições internacionais, o republicano costuma questionar o custo e a eficácia de órgãos como as Nações Unidas. No comunicado em que determinou a retirada do país de 66 entidades globais, o governo americano apontou que tais organismos “são contrários aos interesses dos Estados Unidos”.

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Essa aversão não impediu Trump de idealizar o seu próprio organismo multilateral (claro, bem ao seu modo): o Conselho da Paz, que foi lançado no dia 22 de janeiro durante cerimônia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. Inicialmente, a organização seria responsável por atuar em Gaza, mas afirmações recentes do presidente americano indicam que seu conselho pode intervir em outros conflitos globais.

“Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, disse Trump, que representa não só os Estados Unidos no conselho, mas também é seu chefe permanente (em nenhum lugar está escrito que ele abrirá mão deste papel ao fim de seu mandato presidencial).

O cenário causa preocupação em muitos membros da comunidade internacional, que enxergam o Conselho da Paz como uma tentativa de estabelecer uma “ONU paralela”. Atualmente, 22 nações se comprometeram a compor o órgão — embora o republicano alardeie por aí que 59 países estão alinhados para integrar o conselho. Os membros (incluídos aí Argentina, Indonésia, Azerbaijão e Arábia Saudita) terão mandatos de três anos, enquanto uma vaga permanente custa, segundo Trump, US$ 1 bilhão.



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