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Pela segunda vez confinada no reality da TV Globo, Ana Paula Renault se destaca e assusta os adversários fazendo a mesmíssima coisa que a projetou em outra edição do BBB (quando saiu expulsa por agressão). Ao expor com clareza o que pensa, a jornalista mineira inibe outros brothers que não conseguem manter suas argumentações – em sua maioria, homens. Sua voz é de liderança, todos os demais se tornam menores, coadjuvantes. Na luta pelo espaço da fama proposta pelo reality, isso é motivo, claro, de desespero geral.
Um programa que, em outros tempos, se prezava por quem gritava mais alto ou sacudia a dois os edredons do quarto, o Big Brother Brasil tem se nivelado por questões do dia a dia, que mexem com torcidas polarizadas politicamente. Temas como racismo, homofobia e agressão a mulheres se tornaram recorrentes na cozinha ou à beira da piscina. Ana Paula não se esconde em cima do muro, pelo contrário, pula para o lado esquerdo sem pestanejar. Sua bandeira é escancarada, ninguém duvida qual seja a cor.
A veterana já teve embates com outros participantes devido a este seu posicionamento político. No início do confinamento, afirmou que preferia não entrar no assunto, porém, fora da casa, já declarou sua visão política em diversos momentos, sendo abertamente contra o bolsonarismo e se identificando com ideias de esquerda. Nas redes sociais, Ana Paula sempre se manifestou em diversos episódios políticos, que ganharam repercussão. Em 2023, por exemplo, discutiu com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) durante um voo comercial, chegando a compartilhar um abaixo-assinado online pedindo a cassação do parlamentar. A briga aconteceu em meio à repercussão de um discurso do parlamentar na Câmara dos Deputados considerado transfóbico, quando ele usou uma peruca no Dia Internacional da Mulher e afirmou ter “lugar de fala”.
Durante uma conversa em que falava que não gostou de ser chamada de “patroa” pelos demais, ela teve o apoio de Tia Milena, que comentou se sentir atacada por igual. “Ele atacou diretamente eu e você”, disse a merendeira. A jornalista, no entanto, corrigiu a parceira de jogo, colocando o foco na gravidade da ofensa direcionada especificamente a Milena. “Não, ele atacou você. A vítima da situação toda é você, Tia Milena”, afirmou. Diante da reação contrariada de Milena, que rejeitou o rótulo de vítima, Ana Paula explicou a problemática por trás do discurso de Matheus. “Desse discurso dele carregado de um racismo estrutural, Tia Milena. Por que a gente não pode ser amiga? Por que que eu tenho que ser sua patroa, por que você não pode ser a minha?”, questionou.
Seu repertório e senso crítico geram ataques de quase todos os lados lá dentro e campanhas de ódio aqui fora. No peso das palavras, sua postura é a de puxar o debate público com temas espinhosos para a direita, sabendo desde antes o que causa engajamento nas redes sociais. Espertamente, Ana Paula joga com o telespectador tal como joga com outros brothers, que caem em sua armadilha ao serem escancarados aos leões de suas felinas declarações. Ela entendeu que, quem tenta agradar aos dois lados, não agrada a lado algum. Por ora, segue firme como a protagonista do BBB em sua luta por uma vitória nessa “reeleição” por dias melhores.