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A decisão do Copom de manter a Selic em 15% tem um peso concreto — e doloroso — no dia a dia do comércio. Como alertou André Sacconato, assessor da Federação do Comércio de SP, juros nesse patamar encarecem a engrenagem básica do setor: vender a prazo. “A taxa de juros deixa mais caro ele poder ofertar esses produtos a prazo”, resume, traduzindo o impacto direto no caixa do lojista. Nem a compra à vista escapa do juros que incide em toda a cadeia.
Na prática, o comerciante precisa tomar financiamento para parcelar vendas, e o custo financeiro elevado acaba esmagando as margens de lucro. O problema não está só na demanda mais fraca, mas também na oferta mais cara. E mesmo quando a Selic começar a cair, Sacconato lembra que o alívio não é imediato: o efeito costuma levar de seis a nove meses para aparecer no comércio e no setor produtivo. está embutido no custo financeiro do comerciante e no custo financeiro da indústria. Não vamos esquecer disso. São duas cadeias, “A indústria sofre, coloca um preço maior porque o custo financeiro dela aumenta e o comerciante, ao fazer essa intermediação, e o consumidor final tem custos que são financiados”, conclui.
Preocupação com inflação
O Banco Central, por sua vez, segue olhando com lupa a inflação de serviços — um termômetro que ainda preocupa. Para Sacconato, a política monetária está amarrada à política fiscal. Sem um fiscal que traga previsibilidade, o BC não se sente confortável para iniciar um ciclo mais agressivo de cortes. “Quanto mais eu soltar as rédeas da política fiscal, mais eu vou ter que prender no futuro”, resume a lógica.
O nervosismo lá fora
Esse freio não é só doméstico, “A gente é muito guiado pelos acontecimentos internacionais”, resume Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV. O aumento de gastos do governo até estimula a atividade, mas de forma desequilibrada, pressionando salários e a inflação de serviços — justamente o que o BC tenta evitar.
No exterior, o cenário também não ajuda quem torce por juros mais baixos aqui. A economia americana segue robusta, o que reduz a pressa do Federal Reserve em cortar juros. No fim das contas, como diz Padovani “É fundamentalmente o ambiente global que vai comandar e, portanto, abrir espaço ou não para o Banco Central” mexer na Selic. Até lá, o comércio segue operando sob juros que apertam mais do que ajudam.