A PM (Polícia Militar) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para alterar a data de visita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e para liberar caminhadas para ele no Complexo Penitenciário da Papuda, também conhecido como “Papudinha”, onde ele cumpre pena de 27 anos e três meses pelo plano de golpe.

Em ofício assinado pela comandante-geral Ana Paula Barros, o órgão solicita a mudança de visita de quinta-feira para sábado a todos os custodiados sensíveis. A justificativa é de que há um fluxo maior de servidores e processos administrativos durante a semana, além de coincidir com as visitas dos outros 48 presos na Papudinha.

“Essa circunstância amplia de forma significativa os riscos a segurança institucional, dificulta a adequada segregação dos ambientes e compromete o controle rigoroso da circulação de pessoas no interior da unidade”, explica a comandante na nota de quarta-feira (28).

A alteração das visitas de quinta para sábado, então, diminuiria o fluxo interno, deixaria de coincidir com as datas de visitas dos demais detentos e diminuiria os riscos à segurança, segundo a PM.

Caminhadas na Papudinha

Além dessa mudança, a PM pediu autorização para a realização de caminhadas “de forma controlada e restrita, em locais previamente definidos e adequados sob o aspecto da segurança”, como o campo de futebol ou a pista asfaltada nos fundos da Papudinha.

A solicitação foi feita a pedido do ex-presidente, que também apresentou indicação médica para as caminhadas. “Ressalta-se que tais ambientes oferecem melhores condições de controle, visibilidade e previsibilidade dos deslocamentos, permitindo vigilância continua e pronta intervenção do efetivo policial, além de afastar qualquer contato com outros custodiados”, diz a PM.

Assistência religiosa

Moraes autorizou que Bolsonaro recebesse assistência religiosa uma vez por semana quando o ex-presidente foi transferido da Superintendência da PF (Polícia Federal) para a Papudinha em meados de janeiro. Agora, a PM pede para esse tratamento ser estendido a outros custodiados sensíveis.

“No tocante a assistência religiosa, informa-se que esta é prestada ordinariamente no NCPM (Núcleo de Custódia da Polícia Militar) pela Capelania da PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal), nas vertentes evangélica e católica, observadas as rotinas administrativas e as condições de segurança da unidade”, completa o ofício.

Distribuição de medicamento

A PM também avisou Moraes que a distribuição de medicamento para Jair Bolsonaro é feita com eventual auxílio de presos do regime semiaberto como forma de remição de pena.

“A distribuição ocorre de maneira padronizada e controlada, alcançando todos os custodiados do Núcleo, sempre sob supervisão direta do efetivo policial responsável”, pontua o órgão.

Desde que sofreu um atentado durante a campanha eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro passou por uma série de cirurgias. O procedimento cirúrgico mais recente ocorreu em dezembro do ano passado, quando o ex-presidente foi internado para tratar uma hérnia inguinal bilateral — quando uma parte de algum órgão ou tecido do abdômen “escapa” por uma área enfraquecida na parede muscular da virilha.

Depois que recebeu alta, a equipe médica de Bolsonaro indicou tratamento com dieta fracionada, medicamentos, controle de pressão arterial e prevenção de risco de quedas.

 



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