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Depois de trucidar a pauladas o cão Orelha — cuidado por moradores de um condomínio de luxo em Florianópolis, Santa Catarina — um dos rapazes envolvidos na agressão está na Disney, de férias. O animal, que precisou ser submetido à eutanásia para interromper o sofrimento causado pela violência, tornou-se símbolo de uma mobilização popular que cresce em ritmo acelerado. O movimento #JustiçaPorOrelha ganhou as ruas em forma de passeatas e despertou depoimentos emocionados e indignados de figuras públicas, entre elas a atriz Paolla de Oliveira. “Normatizar o inaceitável não pode ser opção”, afirmou em vídeo publicado na noite de quarta-feira, 28.

O brasileiro não suporta mais a normalização de atitudes bárbaras usadas como justificativa para a impunidade. No país, maus-tratos a animais são crime desde 1998, quando passaram a ser tipificados pela Lei de Crimes Ambientais. Ainda assim, agressões continuam a ocorrer com frequência alarmante, revelando o que há de mais cruel no comportamento humano — o prazer em infligir dor a um ser indefeso, afetuoso e socialmente reconhecido por sua capacidade de oferecer vínculo e afeto. É exatamente esse ponto que Paolla levanta em seu depoimento: “Se adolescentes têm coragem de cometer uma atrocidade dessas, que adultos vão se tornar? Bandidos eles já são”.

Em uma sociedade marcada pela violência, que inicia o ano com a consolidação das estatísticas de 2025 — o período com o maior número de feminicídios da última década — e também abalada por casos de parricídio, como a morte do ex-deputado Paulo Frateschi, o caso Orelha lança luz sobre o tipo de adultos que está sendo formado sob a complacência da impunidade.

O posicionamento firme de Caso Orelha: “Normatizar o inaceitável não pode ser opção”, diz Paolla, que não precisa se associar a temas de alto engajamento para manter relevância pública. A atriz faz um desabafo que ecoa o sentimento de milhares de brasileiros exaustos da ausência de punições cabpiveis. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam a existência de 4.919 processos relacionados a maus-tratos a animais — números que traduzem, em última instância, uma parte da sociedade que cobra mudança de comportamento. Quem convive com um animal sabe: a morte de Orelha é sentida como a perda violenta de um membro da família. Como um adolescente comete um ato dessa gravidade e é recompensado com férias na Disney? Mais do que impunidade, trata-se de uma inversão completa de valores. Todo ser humano deve ser responsabilizado por seus atos.



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