Agentes federais de imigração dos Estados Unidos têm coletado informações pessoais sobre manifestantes em Minneapolis, segundo fontes da CNN – e já haviam documentado detalhes sobre Alex Pretti antes de ele ser morto a tiros no sábado (24).
Não está claro como Pretti chamou a atenção das autoridades federais, mas fontes disseram à CNN que, cerca de uma semana antes de sua morte, ele sofreu uma fratura na costela quando um grupo de agentes federais o imobilizou enquanto ele protestava contra a tentativa de detenção de outras pessoas.
Em um comunicado, o Departamento de Segurança Interna afirmou que “as forças de segurança do departamento não têm registro deste acontecimento”.
Um memorando enviado no início deste mês a agentes temporariamente designados para a cidade solicitava que eles “capturassem todas as imagens, placas de veículos, documentos de identificação e informações gerais sobre hotéis, manifestantes, etc., para que pudéssemos reunir tudo em um único documento consolidado”, segundo correspondências analisadas pela CNN.
O Departamento de Segurança Interna alertou repetidamente sobre ameaças contra agentes federais durante operações de imigração e criticou os manifestantes que, segundo eles, estão atrapalhando essas operações.
Na terça-feira (27), o departamento também divulgou um formulário online para denúncias de pessoas que supostamente estariam assediando agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).
“Quando nossos agentes da lei se deparam com um manifestante violento que está infringindo a lei, obstruindo o trabalho policial ou agredindo-os, eles registram a ocorrência para facilitar o processo judicial. Isso não é novidade, é protocolo padrão”, afirmou a secretária adjunta do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, em um comunicado.
O caso anterior começou quando ele parou o carro após observar agentes do ICE perseguindo o que ele descreveu como uma família a pé e começou a gritar e a apitar, de acordo com uma fonte que pediu para não ser identificada por medo de represálias.
O enfermeiro Alex Pretti contou posteriormente à fonte que cinco agentes o derrubaram e um deles se apoiou em suas costas, um encontro que resultou em uma costela quebrada. Os agentes o liberaram rapidamente no local.
“Naquele dia, ele achou que ia morrer”, falou a fonte.
Alex Pretti recebeu posteriormente medicação compatível com o tratamento de uma costela fraturada, segundo registros analisados pela CNN.
Formulário sobre manifestantes
No início deste mês, um funcionário do DHS (Departamento de Segurança Interna) em Minneapolis enviou um memorando aos agentes da HSI (Divisão de Investigações de Segurança Interna) do ICE designados para o estado em serviço temporário, solicitando que utilizassem um formulário para inserir informações sobre manifestantes e pessoas que estimulam a agitação política ou social.
O formulário, intitulado de “coleta de informações sem prisões”, permite que os agentes preencham informações pessoais de manifestantes que encontram. Não está claro se outras agências em Minnesota também estão utilizando o formulário.
Anteriormente, os agentes compartilhavam informalmente informações sobre manifestantes entre si, segundo o memorando.
O nome de Pretti era conhecido pelos agentes federais, de acordo com uma fonte — embora não esteja claro se o novo formulário de cadastro foi usado para compartilhar suas informações.
Também não está claro se os agentes federais que encontraram Pretti no sábado (24) o reconheceram antes de confrontá-lo, o que acabou por imobilizá-lo no chão, tomar uma arma de sua cintura e, em seguida, atirar fatalmente nele.
Alguns integrantes do governo Trump falaram publicamente sobre a ideia de criar um banco de dados de manifestantes, embora não esteja claro o que o ICE fez com as informações coletadas por meio do formulário distribuído aos agentes em Minneapolis.
“Uma coisa que estou defendendo agora… vamos criar um banco de dados onde as pessoas presas por obstrução, impedimento e agressão, vamos torná-las famosas”, disse Tom Homan, czar da fronteira de Trump, à Fox News no início deste mês.
“Vamos colocar o rosto delas na TV. Vamos deixar que seus empregadores, em seus bairros, em suas escolas, saibam quem são essas pessoas”, acrescentou.
Departamento de Segurança Interna nega existência de banco de dados
No domingo (25), uma porta-voz do DHS (Departamento de Segurança Interna) negou que o órgão estivesse compilando um banco de dados de “terroristas domésticos” após um vídeo no estado do Maine mostrar um agente federal anotando a placa do carro de uma mulher que o observava durante uma operação e dizendo a ela: “Temos um ótimo banco de dados e agora você é considerada uma terrorista doméstica”.
A secretária adjunta do DHS, Tricia McLaughlin, disse à CNN sobre o caso no Maine: “NÃO existe um banco de dados de ‘terroristas domésticos’ administrado pelo DHS. É claro que monitoramos, investigamos e encaminhamos todas as ameaças, agressões e obstruções aos nossos agentes às autoridades competentes. Obstruir e agredir agentes da lei é crime federal”.
Em sua declaração à CNN na terça-feira (27), ela reiterou que não existe um banco de dados do DHS.