
Ler Resumo
O grupo radical Hamas afirmou nesta quarta-feira, 28, que está disposto a entregar o governo de Gaza ao comitê tecnocrático palestino, criado na semana passada como parte do acordo de cessar-fogo elaborado pelos Estados Unidos. O conselho será supervisionado pelo Conselho de Paz, um órgão internacional liderado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, com participação de líderes de vários países. O Hamas, no entanto, insistiu que a passagem de Rafah, que faz fronteira com o Egito, seja reaberta o quanto antes.
“Foram tomadas medidas concretas no terreno”, afirmou Hazem Qassem, porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, à agência de notícias francesa AFP. “Podemos falar agora de uma plena disponibilidade de todos os ministérios, organismos e estruturas, inclusive no âmbito da segurança, para entregar todos os expedientes (ao comitê).”
“Podemos falar agora de uma plena disponibilidade de todos os ministérios, organismos e estruturas, inclusive no âmbito da segurança, para entregar todos os expedientes” ao comitê de administração, continuou Qassem. “Os protocolos estão preparados, os arquivos estão completos e foram específicos para supervisão da entrega, garantindo uma transferência completa da governança na Faixa de Gaza em todos os setores ao comitê tecnocrático.”
+ Gaza recebe materiais escolares pela primeira vez em mais de dois anos, diz Unicef
Reabertura de Rafah
O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês) é composto por 15 membros e será chefiado por Ali Shaath, que já atua como comissário-chefe do Comitê Nacional para a Administração de Gaza. Há expectativa que o grupo comece os trabalhos a partir da reabertura da passagem de Rafah, bloqueada por tropas israelenses desde maio de 2024. Por tempo limitado, a rota foi aberta no início do ano passado, mas voltou a ser fechada a mando de Israel.
Qassem instou que a passagem seja “aberta em ambas as direções, com plena liberdade de saída e entrada na Faixa de Gaza, sem nenhum obstáculo israelense”, acrescentando: “O mais importante é que supervisionemos como este comitê gerencia as saídas e as entradas dos cidadãos com plena liberdade com o acordo, e não segundo as condições israelenses.”
O governo de Benjamin Netanyahu se comprometeu com uma “reabertura limitada” a partir do retorno dos restos mortais do último refém mantido em Gaza. O corpo do policial Ran Gvili, morto aos 24 anos, foi recuperado na segunda-feira 26, um dia após os militares do país terem realizado uma “operação em larga escala” em um cemitério no norte de Gaza. Ele foi assassinado enquanto tentava defender o kibutz Alumim, no sul de Israel, durante os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.