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Todo começo de ano letivo vem acompanhado de uma lista de providências familiares: material escolar, uniformes, transporte, ajuste de horários e a reorganização da rotina. Como infectologista, costumo dizer que esse período também deveria ser visto como um momento estratégico para cuidar da saúde — não apenas das crianças, mas de toda a família.
Entre tantos preparativos, a atualização da carteira de vacinação merece atenção especial. Vacinar crianças e adolescentes é um gesto de cuidado individual, mas também um compromisso coletivo. Ao mantermos a vacinação em dia, protegemos irmãos, pais, avós, professores, colegas de classe e toda a comunidade escolar, reduzindo o risco de surtos de doenças preveníveis, como sarampo, catapora, influenza (gripe), diarreia por rotavíus, além de meningite bacteriana causada por diferentes bactérias.
A importância desse cuidado é amplamente reconhecida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a vacinação o segundo melhor investimento em saúde pública, ficando atrás apenas do acesso à água potável. Isso porque as vacinas salvam vidas, evitam hospitalizações, reduzem complicações graves e sequelas de doenças potencialmente graves.
Ambientes escolares favorecem a circulação de vírus e bactérias. Sem a proteção adequada, crianças ficam mais vulneráveis a doenças como sarampo, coqueluche, catapora, caxumba, além de influenza e coqueluche e outras infecções graves como meningite bacteriana.
O cenário se torna ainda mais preocupante diante da queda nas taxas de cobertura vacinal observada nos últimos anos — um alerta importante para famílias e profissionais de saúde. Só para se ter uma ideia, um levantamento preliminar do Programa Nacional de Imunizações (PNI) indica que, ao longo de 2025, apenas duas vacinas aplicadas em bebês – BCG e hepatite B – alcançaram a meta de 95% de cobertura recomendada para crianças de até um ano.
Por isso, é fundamental revisar a carteira de vacinação e garantir a aplicação das vacinas recomendadas para cada faixa etária. Entre as principais estão a tríplice bacteriana (DTP ou DTPa), que protege contra difteria, tétano e coqueluche; a vacina da poliomielite, que protege contra a paralisia infantil; a influenza, aplicada anualmente; a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); a varicela (catapora) e as vacinas meningocócicas, essenciais para a prevenção de meningites.
Os adolescentes também precisam de atenção. A partir dos 9 anos de idade, a vacina contra o HPV é fundamental para a prevenção não só do câncer de colo do útero, mas também de outros tipos de tumores associados a esse vírus, como câncer de orofaringe, câncer de vagina, câncer de vulva e câncer de ânus. Manter a vacinação em dia nessa fase é um investimento em saúde futura.
No Brasil, o Ministério da Saúde orienta a imunização conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que garante proteção gratuita à população. Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) oferecem calendários complementares, com recomendações adicionais que ampliam a proteção de crianças e jovens.
Na volta às aulas, revisar a carteira de vacinação é um ato de responsabilidade, cuidado e proteção coletiva — um compromisso com a saúde da família hoje e da sociedade no futuro.
* Maria Isabel de Moraes-Pinto é infectologista do Delboni, da Dasa
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