Manifestações intensas e prolongadas em todo o Irã revelam fissuras profundas no regime ditatorial dos aiatolás, afirmam especialistas em relações internacionais ouvidos pela CNN Brasil.

A duração, intensidade e abrangência dos protestos, somadas à repressão violenta que já deixou mais de 2 mil mortos, indicam perda de controle interno e de legitimidade, especialmente entre a classe média.

Professor Augusto Teixeira, especialista em estratégias militares e professor de Defesa e Segurança Internacional, destaca que a existência de protestos em um regime repressivo demonstra erosão da capacidade de controle, agravada por sanções e derrotas militares recentes, como o ataque americano às instalações nucleares.

“O Irã está, entre outras palavras, sendo deixado sozinho contra grandes antagonistas”, resume Teixeira.

“É por isso que essa geopolítica de redesenho de tabuleiro, ela é extremamente volátil, complexa, mas respeita de certa forma algumas áreas de influência, e a Rússia entende que a sua projeção na região é bastante limitada”, complementa o professor.

Já Karina Calandrin, professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, alerta que o regime não cede, apostando no confronto com prisões em massa, corte total de internet e comunicações, sem perspectiva de reforma interna não violenta.

Ambos os analistas apontam o abandono pragmático de aliados como Rússia e China, que priorizam seus interesses — a Rússia focada na Ucrânia e a China no comércio —, rachando o suposto eixo antiocidental.

Diante disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, eleva a retórica com novas sanções de 25% e ameaças de intervenção, visando não necessariamente derrubar o regime, mas forçar uma suavização negociável, similar à Venezuela.

Teixeira avalia que uma ação militar americana priorizaria alvos estratégicos para colapsar a liderança, explorando as fissuras internas reveladas pelos protestos econômicos contra inflação e custo de vida.

Calandrin reforça a ausência de saída fácil, com o Irã como potência militar robusta, mas o regime forte o suficiente para mais violência nos próximos dias.



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