
A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua mulher, Cilia Flores, foi resultado de meses de preparação das Forças Armadas e da inteligência dos Estados Unidos e de um ataque surpresa executado na madrugada de sábado em Caracas.
Comandos da Delta Force desembarcaram de helicóptero em um complexo fortificado onde o casal dormia e efetuaram a prisão sob acompanhamento em tempo real do presidente Donald Trump, que autorizou a operação após melhora das condições climáticas.
Maduro tentou se refugiar em uma sala segura, mas foi rapidamente dominado, segundo relato de Trump. O casal foi levado de helicóptero ao navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, no Caribe, e transferido em seguida para Nova York, onde enfrenta acusações de narcotráfico e crimes relacionados a armas.
A operação, batizada de Absolute Resolve, mobilizou tropas de elite do Exército, aviação de operações especiais e operadores encobertos da CIA. Mais de 150 aeronaves participaram da ação, incluindo caças, bombardeiros B-1, aviões de guerra eletrônica e helicópteros do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais.
Explosões atingiram pontos estratégicos de Caracas, incluindo instalações militares. As luzes da capital foram apagadas por ações cibernéticas americanas, segundo autoridades.
O governo dos EUA afirmou que não houve mortes entre militares americanos. Um número não divulgado de soldados sofreu ferimentos leves. Também houve mortos entre forças de segurança venezuelanas nas áreas de operação.
De acordo com o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, a ação foi precedida por um esforço intenso de inteligência para mapear os deslocamentos e a rotina de Maduro. A CIA teria mantido fontes dentro do governo venezuelano e infiltrado equipes no país para monitoramento direto.
A Casa Branca descreveu a operação como uma ação de aplicação da lei, com apoio militar. Integrantes do Departamento de Justiça participaram da missão para formalizar a prisão do casal.
Especialistas em direito internacional contestam a legalidade da ação. Para críticos, a captura de um chefe de Estado em território estrangeiro, sem autorização do Congresso e fora de um contexto de guerra, viola o direito internacional.
O Congresso foi informado após a operação. O governo Trump justificou a ação com base nos poderes do presidente como comandante em chefe e na ameaça que, segundo Washington, o governo Maduro representaria aos Estados Unidos.
No poder desde 2013, Maduro responde a acusações de narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína e crimes com armas em um processo que tramita em Nova York desde 2020. Promotores o acusam de liderar o chamado Cartel dos Sóis, em parceria com as Farc, para enviar grandes carregamentos de cocaína aos EUA.
A captura ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra o narcotráfico na região e a uma escalada da presença militar americana no Caribe. Desde setembro, forças dos EUA destruíram dezenas de embarcações suspeitas de tráfico, em operações questionadas por juristas e ex-funcionários do governo.
A ação contra Maduro marca a intervenção externa mais agressiva do segundo mandato de Trump e abre um cenário de forte instabilidade política e diplomática na América Latina.