A família do empresário Flávio Cruz Barbosa, assassinado por um funcionário em uma oficina no Setor de Oficinas Norte (SOF Norte), nessa quarta-feira (6/5), pediu a ampliação das investigações, após novas imagens do dia serem obtidas com vizinhos do estabelecimento onde o crime ocorreu.
Veja:
Ao Metrópoles, Gustavo Cruz Barbosa, 46 anos, empresário e irmão de Flávio, disse que a família busca respostas para entender o que motivou o crime. Para a família, a hipótese de vingança foi uma coisa inventada “na cabeça” do autor.
A partir das novas imagens da chegada de assassino com o tio à oficina, e outros vídeos gravados no local ao longo dos últimos dias, surgiu a suspeita de que o tio de Eduardo Jesus Rodrigues, 24, possa ter participação no homicídio.
Ele afirma ainda que o tio do autor mentiu no depoimento à polícia.
“O depoimento não bate com nada das imagens. O Eduardo chega, dá um chute no rosto do meu irmão e já começa a tortura. O tio dele assiste a cena e, em seguida, vai no vizinho como se nada tivesse acontecido. Depois volta, põe só a cabeça pra dentro da oficina pra ver o que está acontecendo e sai de novo”, afirmou.
Nas imagens da chegada da dupla à oficina é possível ver o tio de Eduardo entregando-lhe um objeto, no entanto não possível identificar do que se trata.
Em outra imagem, da véspera do crime, Gustavo diz que constatou que houve uma breve discussão entre Flávio (a vítima) e Eduardo (o autor). A família disse que Eduardo prestava serviço no local há poucos dias e foi levado à oficina pelo tio.
Ainda segundo Gustavo, após o crime, o tio de Eduardo “sumiu do mapa” e não foi mais encontrado. “Ele prestava serviço para outras pessoas que trabalham com carro antigo, mas o cara sumiu. Algumas pessoas foram até a casa dele, mas ele desapareceu”, comentou.
Isso motivou a família a pedir a ampliação da investigação, que está a cargo da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), e a prisão do tio de Eduardo — que foi negada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
“Não vislumbro, na espécie, risco de dano irreparável ou de difícil reparação que exija imediato provimento judicial e não possa esperar até o início do expediente normal, cabendo ao juízo natural a apreciação do pleito formulado”, alegou a decisão.
A reportagem apurou que a 2ª DP recebeu o pedido da família do empresário e deve investigar todas as possibilidades, incluindo a da participação do tio de Eduardo no crime.
Débora Cruz, prima da vítima, destacou que Flávio construiu uma história de amor e afeto por todos que o cercavam, e teve a vida interrompida abruptamente sem que os familiares tenham qualquer explicação.
“Foi um dos crimes mais chocantes que a sociedade já acompanhou no Distrito Federal. Porque o nível de barbaridade do que aconteceu é chocante. Agora a gente quer tentar entender o que motivou tudo isso”, afirmou ao Metrópoles.
Entenda
- O empresário foi morto na oficina da qual era proprietário, por um funcionário, na tarde de quarta-feira (6/5);
- Imagens das câmeras de segurança mostraram o momento em que Flávio é morto a facadas;
- O assassino ainda usa uma roda de ferro para agredir a vítima.
- Eduardo Jesus Rodrigues, de 24 anos, é o autor do crime e foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF);
- Em depoimento à polícia, ele disse que matou Flávio por vingança. De acordo com a corporação, o rapaz apresenta sinais de transtorno mental.
Chopada
O sepultamento do empresário foi realizado no Cemitério de Sobradinho (DF), na tarde desta sexta-feira (8/5). Com gritos, choro e cerveja, o velório, que reuniu cerca de 100 pessoas, celebrou a vida do empresário, vítima de um crime brutal.
A sobrinha de Flávio, Carolina Leslye, de 28 anos, explicou que a chopada no enterro do tio foi para atender a um desejo dele. “Hoje teve cerveja porque ele era cervejeiro, e queria que o sepultamento dele fosse uma comemoração da vida que ele teve, e nós estamos tentando trazer essa energia.”














