Pesquisadores analisaram tecido do miocárdio ventricular esquerdo obtido antes da morte de pacientes. A comparação de pessoas com e sem diabetes tipo 2 revelou que a doença remodela fisicamente o órgão, enfraquecendo a estrutura muscular e desencadeia o acúmulo de tecido fibroso e rígido, o que dificulta o bombeamento de sangue.
Segundo a pesquisa, publicada em setembro na revista EMBO Molecular Medicine, essas alterações são especialmente graves em pessoas com doença cardíaca isquêmica, a causa mais comum de insuficiência cardíaca.
Como a diabetes afeta o coração?
Os resultados indicaram uma assinatura molecular específica quando a cardiomiopatia isquêmica ocorre junto com diabetes. Proteínas ligadas ao transporte e à oxidação de ácidos graxos apresentaram redução mais acentuada nesse grupo em relação aos doadores saudáveis. A análise também revelou diminuição na expressão de acilcarnitinas, perilipina e proteínas, sugerindo deficiências importantes na capacidade do coração de metabolizar a gordura.
Além das mudanças metabólicas, pesquisadores observaram alterações mais intensas, como um maior grau de miofibrose, a formação de tecido cicatricial no coração. O conjunto de dados indica que a diabetes não atua apenas como condição paralela, mas interfere diretamente nos mecanismos que sustentam a função cardíaca ao longo do tempo.
“Há muito tempo observamos uma correlação entre doenças cardíacas e diabetes tipo 2, mas esta é a primeira pesquisa a analisar conjuntamente diabetes e doença cardíaca isquêmica e a descobrir um perfil molecular único em pessoas com ambas as condições”, afirmou o médico Benjamin Hunter, um dos líderes do estudo.
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O diabetes é uma doença que tem como principal característica o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Grave e, durante boa parte do tempo, silenciosa, pode afetar vários órgãos do corpo, tais como: olhos, rins, nervos e coração, quando não tratada
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O diabetes surge devido ao aumento da glicose no sangue, que é chamado de hiperglicemia. Isso ocorre como consequência de defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas
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A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células, de forma que elas aproveitem o açúcar para as atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação ocasiona o acúmulo de glicose no sangue, que em circulação no organismo vai danificando os outros órgãos do corpo
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Uma das principais causas da doença é a má alimentação. Dietas ruins baseadas em alimentos industrializados e açucarados, por exemplo, podem desencadear diabetes. Além disso, a falta de exercícios físicos também contribui para o mal
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O diabetes pode ser dividido em três principais tipos. O tipo 1, em que o pâncreas para de produzir insulina, é a tipagem menos comum e surge desde o nascimento. Os portadores do tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais
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Já o diabetes tipo 2 é considerada a mais comum da doença. Ocorre quando o paciente desenvolve resistência à insulina ou produz quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento inclui atividades físicas regulares e controle da dieta
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O diabetes gestacional acomete grávidas que, em geral, apresentam histórico familiar da doença. A resistência à insulina ocorre especialmente a partir do segundo trimestre e pode causar complicações para o bebê, como má-formação, prematuridade, problemas respiratórios, entre outros
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Além dessas, existem ainda outras formas de desenvolver a doença, apesar de raras. Algumas delas são: devido a doenças no pâncreas, defeito genético, por doenças endócrinas ou por uso de medicamento
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É comum também a utilização do termo pré-diabetes, que indica o aumento considerável de açúcar no sangue, mas não o suficiente para diagnosticar a doença
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Os sintomas do diabetes podem variar dependendo do tipo. No entanto, de forma geral, são: sede intensa, urina em excesso e coceira no corpo. Histórico familiar e obesidade são fatores de risco
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Alguns outros sinais também podem indicar a presença da doença, como saliências ósseas nos pés e insensibilidade na região, visão embaçada, presença frequente de micoses e infecções
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O diagnóstico é feito após exames de rotina, como o teste de glicemia em jejum, que mede a quantidade de glicose no sangue. Os valores de referência são: inferior a 99 mg/dL (normal), entre 100 a 125 mg/dL (pré-diabetes), acima de 126 mg/dL (diabetes)
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Qualquer que seja o tipo da doença, o principal tratamento é controlar os níveis de glicose. Manter uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios ajudam a manter o peso saudável e os índices glicêmicos e de colesterol sob controle
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Quando o diabetes não é tratado devidamente, os níveis de açúcar no sangue podem ficar elevados por muito tempo e causar sérios problemas ao paciente. Algumas das complicações geradas são surdez, neuropatia, doenças cardiovasculares, retinoplastia e até mesmo depressão
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Dano ocorre até nas células cardíacas
Segundo Hunter, o impacto metabólico da diabetes no coração humano ainda não é totalmente compreendido, já que em condições saudáveis, o coração gera energia principalmente a partir de gorduras, com participação adicional de glicose e corpos cetônicos. Entender que a diabetes prejudica o funcionamento desta cadeia ajuda a compreender a correlação já antiga da doença com a insuficiência cardíaca.
“Observamos que a diabetes agrava as características moleculares da insuficiência cardíaca em pacientes com doença cardíaca avançada e aumenta o estresse nas mitocôndrias — as usinas de energia da célula. O aumento do estresse mitocondrial reduz eficiência energética e favorece dano celular progressivo”, completa o líder do estudo.
O professor Sean Lal, também coordenador do estudo, afirma que o outro lado da moeda da identificação de disfunção mitocondrial e de vias ligadas à fibrose pela diabetes é a abertura de novas possibilidades terapêuticas para reduzir danos da doença ao coração.
“Agora que conseguimos estabelecer uma ligação entre diabetes e doenças cardíacas em nível molecular e observar como isso altera a produção de energia no coração — além de modificar sua estrutura — podemos começar a explorar novas vias de tratamento, orientar critérios de diagnóstico e melhorar o atendimento a milhões de pacientes”, defendeu.
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