A Dívida Bruta do Governo Geral que reúne União, INSS e governos regionais atingiu 80,1% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a R$ 10,4 trilhões, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central). 

De acordo com Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, o resultado ocorre em um contexto considerado sensível para as contas públicas. 

“Estamos em ano eleitoral, e sabemos que, nesses períodos, os governos tendem a gastar mais. Isso pode piorar os dados nos próximos meses e elevar ainda mais esse acumulado em relação ao PIB”, disse Bernardo.

Para Thiago Godoy, educador financeiro, a deterioração fiscal tem impacto direto sobre a condução da política econômica.

“Não adianta manter juros altos se o fiscal não acompanha, o problema acaba se retroalimentando dentro do sistema”, afirma Godoy.

Além disso, a estrutura de financiamento da dívida é um desafio, por conta de o Brasil ser um país de poupança muito baixa. Isso interfere nos recursos disponíveis para financiar a dívida pública. 

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, observa que no mercado financeiro, o risco fiscal já aparece nas expectativas de juros.

“Esse risco contamina a curva de juros. Hoje, o mercado precifica uma queda da Selic até algo próximo de 13%, mas depois volta a exigir prêmio de risco. Se continuar nessa trajetória, a dívida pode sair de 80% do PIB hoje para algo próximo de 100% até 2030”, conta Marilia.

A percepção de risco se dá pela perda de confiança ao longo do tempo, tanto do mercado quanto aos investidores. 

“Se a inflação volta a subir, seja por guerras ou por déficits elevados financiados via expansão monetária, entramos em um cenário de desconfiança, juros altos e maior dificuldade para investir. Isso impacta tanto a renda fixa, com a marcação a mercado, quanto a bolsa”, complementa Fontes. 

Com o avanço do endividamento, cresce o risco de um cenário mais complexo para a política econômica.

“Quando a dívida atinge níveis muito elevados, a política monetária perde eficácia. Ao subir juros, a dinâmica da dívida piora, pressionando o câmbio e alimentando a inflação. É um cenário de dominância fiscal”, conclui Marilia.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.



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