Em 2025, as editoras brasileiras trabalharam em um catálogo diverso de publicações. Da vencedora do Nobel de Literatura de 2024, Han Kang, até o youtuber japonês Uketsu, passando por títulos nacionais, como o estudo de Michel Alcoforado sobre a elite brasileira, confira a seleção de VEJA dos melhores livros do ano.
Meu Nome é Emilia Del Valle, de Isabel Allende

Fruto de um breve relacionamento entre uma noviça irlandesa e um forasteiro chileno na Califórnia, Emilia Del Valle, nascida em 1866, destoa das demais garotas de sua época: ela não pensa em casamento, gosta de ler e escrever, e tece histórias sanguinolentas — passatempo que se torna fonte de renda quando ela vende folhetins sob um pseudônimo masculino. Contratada por um jornal, Emilia vira correspondente da guerra civil que tomou o Chile no fim do século XIX. O drama fictício, com pitadas de realidade, serve como um distante precursor de A Casa dos Espíritos, livro monumental da autora, de 1982, sobre uma família chilena afetada pela ditadura — trama que remete à trajetória da própria autora, que fugiu da opressão de Augusto Pinochet. Prolífica, a romancista de 83 anos tem um olhar afiado para o passado de seu país — lente pela qual espelha dilemas do presente. Leia reportagem aqui.
Sem Despedidas, de Han Kang

Han Kang consolidou o prestígio coreano nas letras em 2024, ao receber o Nobel de Literatura. A escritora de 54 anos ficou marcada na infância pela violência política e estatal contra um protesto estudantil em sua cidade natal, em 1980. Em Sem Despedidas, os ecos de um trauma coletivo estão de volta, ao revisitar um massacre que marcou o país asiático nos anos 1940. Assim, ela mergulha no tema mais caro de sua ficção: o desajuste social provocado pelas lacunas imemoriais de um povo. Entre cenários oníricos e reflexões sobre identidade, a autora reafirma sua potência literária e seu desejo de recontar a história sul-coreana — dessa vez, sob a atenção do mundo inteiro.
Dança de Enganos, de Milton Hatoum

Em 2017, bem antes da atual leva de produções ficcionais que reacendem o debate sobre os anos de chumbo da ditadura militar, o amazonense Hatoum iniciou a saga O Lugar Mais Sombrio, que expõe o impacto do regime autoritário sobre a vida das pessoas por meio da história de Martim, estudante crescido entre Brasília e São Paulo a partir do final dos anos 1960 — e que tem seu destino atingido pela atmosfera tóxica do período. Nesse terceiro livro, o ponto de vista é o da mãe do protagonista, Lina. Em meio a um turbilhão de memórias, ela expõe a razão de seu desaparecimento quando o filho era criança, trauma que ele carregou pela vida inteira.
Coisa de Rico, de Michel Alcoforado

Após conviver 15 anos junto dos grupos mais endinheirados da sociedade brasileira, o antropólogo Michel Alcoforado conseguiu descobrir muito mais do que apenas o modo de vida desse estrato social: ele entendeu os mecanismos que os grupos de ricos — do novo rico ao old money — utilizam para manter seus privilégios e as aparências que os diferenciam internamente. São as regras desse jogo complexo que ele desvela em Coisa de Rico, best-seller que se encontra há 18 semanas consecutivas nos mais vendidos de VEJA. A linguagem bem-humorada, com tons de narrativa ficcional, ganha pontos também por sua clareza: produto de uma tese de doutorado, o livro está longe de ser complexo ou academicista. Leia reportagem aqui.
Byron — Poemas, Cartas, Diários &c., de Lord Byron

Em 2025, o poeta inglês Lord Byron (1788-1824) ganhou uma coletânea à altura da sua grandeza e complexidade com Byron — Poemas, Cartas, Diários &c. Adepto de uma vida alucinada, regada a sexo, drogas e poesia, o autor foi uma das primeiras celebridades de nossa história, como atesta o livro organizado e traduzido pelo poeta brasileiro André Vallias. Além dos poemas em versões bilíngues, a edição traz uma breve biografia comentada do autor em sua introdução e trechos de cartas e diários do autor, que ajudam a entendê-lo mais profundamente. Leia resenha aqui.
Coração sem medo, de Itamar Vieira Jr.

Coração Sem Medo, do baiano Itamar Vieira Jr., é um daqueles livros para compreender profundamente o Brasil. Nele, o escritor encerra a trilogia iniciada por Torto Arado, livro que bateu a marca de 1 milhão de exemplares vendidos, com um retrato singelo e potente sobre a mãe preta brasileira do presente, duramente influenciada pelo passado colonial do país. Rita Preta, a protagonista, é uma mãe solo de três filhos, moradora da periferia e funcionária em um supermercado. Logo nos primeiros capítulos da obra, a vida de Rita é atravessada pelo sumiço do filho mais velho Cid. Cercada pela solidão, enfrenta ao mesmo tempo o medo pela ausência do filho, a negligência do estado em solucionar o desaparecimento, a burocracia e a falta de acolhimento em um momento de fragilidade e a possibilidade de Cid ter sido vítima de violência estrutural. Leia reportagem aqui.
Casas estranhas, de Uketsu

Em Casas Estranhas, um casal prestes a comprar uma residência entra em contato com um escritor fascinado pelo sobrenatural e um arquiteto para entender o que assombra o local. Com uma escrita fácil e enigmática, Uketsu transita por temas como crimes violentos e traumas de infância, geralmente com antagonistas femininas. O livro foi um grande sucesso comercial, permanecendo 5 semanas na lista de mais vendidos de VEJA, e abriu portas para a popularização da ficção japonesa de mistério no Brasil. Leia reportagem aqui.
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