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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira reação à divulgação dos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, afirmou na segunda-feira 22 que a abertura dos documentos está afetando injustamente a reputação de pessoas que mantinham laços “inocentes” com o financista condenado por abuso e tráfico sexual de menores.
O Departamento de Justiça começou a divulgar o material na última sexta-feira, prazo limite de acordo com legislação recém-aprovada. O protagonista da leva foi o ex-presidente americano Bill Clinton, do Partido Democrata, que aparece em fotos ora com uma loura sentada no colo, ora boiando à vontade em uma banheira com outra mulher (todas com o rosto ocultado). Na leva desta terça, o nome do próprio Trump, que cultivou amizade por Epstein por 15 anos antes de um desentendimento em 2004, foi citado várias vezes em registros de voos (ele viajou oito vezes no jatinho particular do colega) e em um bilhete de 2019 que parece citá-lo (“nosso presidente gosta de garotas jovens e núbeis”).
Antecipando o que poderia vir por aí a respeito dele mesmo, Trump expressou na segunda-feira solidariedade àqueles que tornaram-se alvo de escrutínio renovado devido às revelações, incluindo Clinton.
“Eu gosto do Bill Clinton. Sempre me dei bem com ele”, disse Trump a jornalistas em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida. “Detesto ver fotos dele sendo divulgadas, assim como não gosto de ver imagens de outras pessoas. Acho isso terrível.”
O presidente dos Estados Unidos reiterou que muitos dos que aparecem em fotos antigas junto a Epstein (algumas mostram figuras como Michael Jackson, Mick Jagger e o profeta da extrema direita Steve Bannon) podem ter mantido meros encontros sociais, sem qualquer relação com os crimes pelos quais o financista foi condenado.
“Provavelmente estão sendo divulgadas fotos de outras pessoas que conheceram Jeffrey Epstein inocentemente anos atrás”, declarou ele, mencionando Larry Summers, ex-secretário do Tesouro e ex-reitor de Harvard que se demitiu do cargo de professor na universidade e deixou a vida pública após virem à tona e-mails que ele trocou com o bilionário pedófilo.
O presidente, cuja amizade com Epstein marcou a década de 1990, tentou também desqualificar a cobertura jornalística do caso, acusando a imprensa de orquestrar uma distração de suas conquistas políticas. “Essa história do Epstein serve para desviar a atenção do enorme sucesso que o Partido Republicano vem alcançando. Estamos falando de conquistas históricas, e as perguntas continuam sendo sobre Epstein”, reclamou.
A divulgação dos arquivos faz parte da implementação da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (EFTA, na sigla em inglês), aprovada por ampla maioria no Congresso e sancionada por Trump, que exigia a publicação completa dos documentos relacionados ao caso até a última sexta-feira. Até o momento, contudo, o Departamento de Justiça liberou apenas parte dos registros, gerando protestos de sobreviventes e de congressistas que pedem a liberação integral do material.
O porta-voz de Bill Clinton, Angel Urena, criticou a divulgação seletiva e pediu que todo o material remanescente seja tornado público, inclusive fotografias e documentos que mencionem o ex-presidente. “Alguém ou algo está sendo protegido. Não sabemos quem, o quê ou por quê”, disse Urena, acusando o Departamento de Justiça de usar a divulgação de forma estratégica.
Jeffrey Epstein, um financista bilionário condenado por tráfico sexual de menores, morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento em uma prisão de Nova York, em um caso oficialmente considerado como suicídio.