A região metropolitana de Paris inaugurou o seu primeiro teleférico urbano, uma aposta inédita na capital francesa para reduzir tempos de deslocamento, integrar bairros periféricos e ampliar uma mobilidade de menor impacto ambiental. As cabines começaram a circular sobre os subúrbios do sudeste parisiense, conectando áreas historicamente mal atendidas pelo transporte público.

Batizada de C1, a linha tem 4,5 quilômetros de extensão e liga as cidades de Créteil e Villeneuve-Saint-Georges, passando por Limeil-Brévannes e Valenton. O trajeto completo será feito em cerca de 18 minutos, incluindo paradas, praticamente metade do tempo gasto hoje de ônibus ou carro. A nova ligação dá acesso direto à linha 8 do metrô de Paris, um dos principais eixos da rede.

Com 105 cabines, cada uma com capacidade para dez passageiros sentados, o sistema deverá transportar cerca de 11 mil pessoas por dia. O custo total do projeto foi de 138 milhões de euros, valor significativamente inferior ao de uma linha subterrânea. Segundo autoridades regionais, uma extensão do metrô na área ultrapassaria 1 bilhão de euros e seria inviável do ponto de vista orçamentário.

A cerimônia de inauguração contou com a presença da presidente da região da Île-de-France, Valérie Pécresse, e de prefeitos das cidades atendidas. Para o vice-presidente regional responsável pelos transportes, Grégoire de Lasteyrie, o teleférico representa uma solução pragmática para territórios periféricos onde grandes obras subterrâneas raramente saem do papel.

Embora seja uma novidade para Paris, o teleférico urbano já é uma realidade em outras cidades francesas, como Brest, Toulouse e Saint-Denis da Reunião. O país soma agora sete sistemas do tipo. Originalmente associados a regiões montanhosas, esses equipamentos vêm sendo cada vez mais adotados como alternativa de mobilidade em áreas urbanas densas, com barreiras geográficas ou carência de infraestrutura de transporte.

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A linha de teleférico C1 é inaugurada na região de Paris
A linha de teleférico C1 é inaugurada na região de Paris (Getty/Getty Images)

A aposta se insere em um movimento mais amplo de transformação urbana em Paris e sua região. Nos últimos anos, a capital francesa acelerou políticas de urbanismo ecológico e de baixo carbono, com forte restrição ao uso do automóvel, expansão de ciclovias, criação de zonas de baixas emissões e reorganização do espaço urbano em torno do conceito da “cidade de 15 minutos”, que prioriza serviços e trabalho próximos à moradia.

No campo do transporte, além do estímulo à bicicleta e da redução de faixas para carros, Paris vem investindo na modernização do metrô, na ampliação das linhas do RER e em soluções consideradas mais rápidas de implantar e menos poluentes, como corredores de ônibus elétricos e agora o teleférico urbano. A experiência busca responder a um desafio central da metrópole: conectar subúrbios socialmente vulneráveis ao restante da cidade, reduzindo desigualdades de acesso e, ao mesmo tempo, as emissões de carbono.

Ao passar sobre bairros antes isolados, o novo sistema simboliza uma mudança de paradigma na mobilidade parisiense, que combina inovação tecnológica, integração territorial e metas climáticas cada vez mais ambiciosas.



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