A 23ª edição da Árvore de Natal da Lagoa se prepara para iluminar a cidade maravilhosa entre os dias 6 de dezembro e 6 de janeiro em sua versão mais ambiciosa, detalhada e sustentável. À frente do conceito criativo está Orleans de Sá, cenógrafo carioca com três décadas de trajetória, responsável por transformar o tradicional símbolo da cidade na maior obra já assinada por um único profissional no Brasil. O desafio mobilizou mais de 120 profissionais e foi tirado do papel em apenas um mês e meio. Já o desenvolvimento do projeto ocorreu ao longo de agosto e setembro, culminando na criação de 45 momentos distintos de iluminação em uma estrutura flutuante de 60 metros – o equivalente a um prédio de 35 andares.
A inspiração para o projeto partiu da obra A Noite Estrelada, de Van Gogh, reinterpretada a partir da estética e dos símbolos brasileiros. A estrutura exibe 27 estrelas, que representam todas as unidades da federação, e se acendem numa coreografia luminosa que sobe da base ao topo, momento em que o verde da bandeira se acende como ponto alto do espetáculo visual. Para o cenógrafo, esse movimento carrega uma mensagem simbólica.
“Quando o verde da bandeira se acende, ele desce pela árvore como um fio de esperança, iluminando cada estado e compondo essa noite estrelada que representa o Brasil inteiro”, explica Orleans. “Depois vem o amarelo, que se espalha camada por camada até envolver toda a estrutura, como se costurasse o país em luz.”
Com 30 quilômetros de mangueiras de LED e neon flex, a árvore consome somente de 20% a 30% da energia utilizada em edições anteriores e é iluminada por diesel renovável da Petrobras, o que reduz as emissões de gases poluentes em até 87%.
“Espero que a árvore desperte o sentimento mais puro de Natal que ainda habita em cada um de nós. O projeto busca traduzir o imaginário natalino em um gesto de beleza e sofisticação que tem tudo a ver com o Rio”, afirma.
Trinta anos de cenografia até chegar à Árvore do Rio
A grandiosidade do projeto de 2025 está diretamente ligada ao percurso profissional do cenógrafo. Aos 48 anos, Orleans de Sá. cumula 30 anos de atuação em grandes eventos, com o início da cerreira marcado pela atuação no Rock in Rio, ainda na terceira edição do festival. Desde então, assinou cenografias em múltiplos segmentos: da música à gastronomia, do esporte ao universo corporativo, tornando-se referência na cenografia de camarotes da Marquês de Sapucaí, área em que mais trabalhou ao longo da carreira.
“Receber o convite foi um presente e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade. O maior obstáculo, sem dúvida, foi o tempo. Tivemos apenas um mês e meio para executar a árvore e, em trinta dias, ela já estava de pé. A sensação foi indescritível. Para mim, essa obra é de todos os brasileiros, mas também significa um presente pessoal. São anos de trabalho sério, honesto e sem descanso. Ser escolhido por mérito me deixou sem palavras. Espero que quem visitar a Árvore do Rio sinta algo bonito, especialmente um sentimento de união. É isso que mais desejo entregar. Foi emocionante perceber que era possível reverenciar a tradição e, ao mesmo tempo, apresentar algo novo”, conta Orleans.
Com expectativa de receber cerca de 1,3 milhão de visitantes durante todo o período de exposição, a Árvore do Rio é realizada pela Backstage e Dream Factory, apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, em uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
