Jair Bolsonaro é reconhecido como principal liderança da direita por 35% do eleitorado, informa a mais nova pesquisa Datafolha. Significa que, em respostas espontâneas, seis em cada dez eleitores não lembra dele ou não o identifica como líder dessas forças.

O resultado é ruim para alguém que dedicou três décadas de vida no Congresso e, depois, quatro anos no governo, à lapidação da própria imagem como referência do extremismo.

Não foram muitos, por exemplo, os que usaram a tribuna da Câmara dos Deputados ou os salões da Presidência da República para defender golpe de estado, tortura, fuzilamento de adversários, e, até mesmo, a legitimação dos esquadrões da morte na política de segurança pública.

“Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio será muito bem-vindo” — sugeriu quando era parlamentar. “Se não houver espaço na Bahia, pode ir para o Rio”, acrescentou. “Terão todo o meu apoio… Meus parabéns!”

Há, porém, um detalhe curioso na pesquisa Datafolha: Bolsonaro está absolutamente isolado no topo (com 35%), mas quem aparece num distante segundo lugar, reconhecido (por 9%) como principal liderança da direita brasileira é … Lula.

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Os dois figuram, também, como os líderes mais reconhecidos da esquerda. Lula à frente (com 56%), seguido por Bolsonaro (5%) que fica muito adiante de Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, atual ministro da Fazenda.

Foram 2.002 entrevistas realizadas na semana passada (de 2 a 4/12) em 113 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.

No ranking do reconhecimento da liderança de direita, a terceira posição é do governador paulista Tarcísio de Freitas (com 5%), o preferido nos partidos de centro-direita para representar o ideário liberal na disputa presidencial do ano que vem.

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Os que ainda dependem de Bolsonaro nas urnas (caso da mulher Michelle e dos filhos parlamentares) obtêm um identificação apenas residual (2%).

Abaixo da média do clã encontra-se o senador Flavio Bolsonaro, em penúltimo lugar (com 1%) entre líderes da direita.

Ele visitou o pai que está preso, na semana passada, e anunciou a pretensão de se candidatar à presidência da República. Horas depois, avisou que a sua eventual renúncia está à venda: “Tem um preço” — divagou diante de jornalistas: “Imagina quanto custa. Quero que vocês pensem o que está em jogo no Brasil e quanto custa retirar a minha candidatura.”

Começou a semana com ofertas excludentes — candidatura ou renúncia — aos aliados e simpatizantes da centro-direita no Congresso. Por enquanto, só recebeu uma resposta: silêncio.



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