Neste domingo 7, em seu primeiro compromisso público desde que anunciou sua entrada na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mostrou que sua pré-candidatura nasce envolta em cálculo político — e, segundo ele próprio, com margem para recuo. Em Brasília, após participar de um culto, o senador afirmou abertamente que pode não levar o projeto até o fim. E fez isso usando uma frase que já repercute no tabuleiro político: “Eu tenho um preço”.

“Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho um preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho um preço para não ir até o fim”, declarou, cercado por apoiadores e assessores. Questionado se esse “preço” teria relação direta com a votação da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Flávio reagiu com ironia: “Tá quente, tá quente”, respondeu, sem estender o assunto.

A fala acontece num momento em que a própria base bolsonarista parece dividida. Um levantamento do Datafolha divulgado no sábado mostrou que apenas 8% dos eleitores veem Flávio como o nome ideal para receber o apoio de Jair Bolsonaro em 2026. Michelle Bolsonaro lidera a preferência, com 22%, seguida de perto pelo governador Tarcísio de Freitas, citado por 20%.

Ainda assim, o senador tenta construir musculatura política. Disse que nesta segunda-feira 8, iniciará uma rodada de conversas com líderes do Centrão, incluindo Valdemar Costa Neto (PL), Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União), Marcos Pereira (Republicanos) e Rogério Marinho (PL). Na terça, pretende voltar a visitar o pai — preso e acompanhando a movimentação à distância — para discutir o andamento das articulações.

“Agora é trazer as pessoas certas para o nosso lado. Nesse primeiro momento, vamos conversar, sem compromisso de absolutamente nada, para que todos possam trocar impressões e ouvir da minha boca o projeto que vamos colocar no papel”, afirmou

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Mercado descontente

Flávio contou que a decisão de se lançar pré-candidato foi amadurecida ao longo de conversas com Jair Bolsonaro, e oficializada após uma reunião familiar na última semana. Segundo ele, o ex-presidente queria esperar o momento em que se sentisse “confortável” para liberar o anúncio.

A repercussão no mercado financeiro, que reagiu negativamente à divulgação da candidatura na sexta-feira — fazendo o Ibovespa virar para queda e recuar quase 2% — foi tratada pelo senador como algo previsível. Ele disse considerar o movimento “natural”, mas atribuiu a leitura a um julgamento apressado.

Para tentar amenizar o temor dos investidores, Flávio apresentou uma versão reformulada de si mesmo — e, por tabela, do próprio sobrenome Bolsonaro. “Só que eles fazem uma análise precipitada, no meu ponto de vista, porque a partir do momento que eu tenho a possibilidade, com essa exposição e a cobertura que vocês da imprensa vão me dar, de conhecer um Bolsonaro diferente, um Bolsonaro muito mais centrado, um Bolsonaro que conhece a política, que conhece Brasília, que vai querer fazer uma pacificação no país”, disse.

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Entre negociações em curso, resistências internas e o recado cifrado sobre o “preço”, Flávio Bolsonaro abre a pré-campanha tentando convencer aliados, eleitores — e o mercado — de que seu nome merece permanecer no jogo. Resta saber se será suficiente para levá-lo até o fim da disputa ou apenas até o ponto em que a negociação fizer sentido.

 



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