Assim que o retorno da Artemis II foi bem sucedido em 10 de abril, os engenheiros da Nasa responsáveis pelo programa comemoram o sucesso. No entanto, o passo dado em 2026 é mais um dos vários agendados até a agência espacial norte-americana alcançar o grande objetivo: pousar na superfície lunar e estabelecer uma base por lá. 

Após a segunda fase da Artemis, até o momento, estão previstas mais três etapas no programa:

  • Artemis III: deverá ocorrer em 2027 e voará em baixa órbita da Terra para testar o acoplamento da cápsula Orion com módulos de pouso comerciais;
  • Artemis IV: em 2028, tem como objetivo pousar na Lua;
  • Artemis V: no final de 2028, a missão pousará no satélite natural e deve iniciar uma possível base lunar.

Apesar dos planos, a Nasa tem enfrentado problemas para cumprir o cronograma atual e espera-se que as próximas etapas da Artemis atrasem, esticando ainda mais o prazo para os seres humanos voltarem a tocar os pés na Lua.

“Não há garantia de que 2028 será, de fato, o ano do pouso. O cronograma continua sujeito a modificações justamente porque estamos falando de um programa extremamente complexo”, observa o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontam que os percalços estão ligados aos vários projetos que estão sendo desenvolvidos simultaneamente, como a cápsula Orion, o sistema de pouso lunar, os trajes espaciais e a estação lunar.

“As dificuldades estão ligadas a uma cadeia de dependências técnicas. A missão precisa funcionar como um ‘sistema de sistemas’: foguete SLS, nave Orion, módulo lunar comercial, traje espacial, abastecimento em órbita, acoplamento, suporte de vida, comunicação, navegação e operações no polo sul lunar. Quando um desses elementos atrasa ou ainda não está suficientemente maduro, a missão inteira precisa ser reorganizada”, explica o astrofísico Adam Smith Gontijo, professor da Universidade Católica de Brasília.

Um dos principais problemas está ligado aos módulos de pouso contratados pela Nasa para auxiliar no pouso na Lua: a Starship, da SpaceX, e o Blue Moon, da Blue Origin. Ambos precisam ser seguros, já que estarão envolvidos em etapas primordiais no espaço, como reabastecimento em órbita e a movimentação de combustíveis e oxidantes de um tanque para outro.

Cronograma atual da Artemis é realista?

Diante de vários problemas, a programação da Nasa já passou por correções de rota e aditamentos. Anteriormente, a chegada ao solo lunar estava marcada para 2027. Atualmente, a agência continua afirmando que o pouso no satélite acontecerá em 2028. No entanto, é provável que novas ocorrências possam esticar ainda mais o prazo para uma data mais realista. 

“Eu diria que o cronograma atual, com pouso em 2028, é, se não realista, pelo menos otimista. Não é impossível”, afirma Gonçalves.

Ilustração colorida mostra possível lunar da Nasa - Metrópoles
Além do pouso em solo lunar, Nasa quer estabelecer uma base por lá

Por outro lado, o astrônomo não enxerga os atrasos como algo negativo, mas sim um recado de que a Nasa está priorizando a segurança para diminuir as chances de um eventual acidente durante a empreitada ao satélite natural. “O cronograma original era bastante agressivo, então reajustes são necessários”, ressalta.

“A missão não é apenas pousar: é pousar em uma região desafiadora, próxima ao polo sul lunar, operar com astronautas na superfície, garantir segurança durante a permanência e trazer a tripulação de volta”, explica Gontijo.

Como atrasos impactam a nova corrida espacial

Em meio às dificuldades da Nasa com Artemis, está a nova corrida espacial pela Lua, travada especialmente pelos Estados Unidos e a China. Os norte-americanos saíram na frente ao conseguir dar a volta no satélite natural em abril, porém os atrasos do programa podem dar fôlego aos chineses na disputa.

A meta do país asiático é enviar um astronauta chinês à Lua até 2030, enquanto os norte-americanos buscam chegar em 2028. De qualquer maneira, o objetivo de ambos não é apenas pousar no satélite, mas sim estabelecer uma base permanente por lá. Para Gonçalves, pouco importa quem chegará primeiro, o que irá prevalecer é um projeto forte.

“Talvez exista uma vantagem simbólica para quem pousar antes — especialmente nessa disputa entre China e Estados Unidos —, mas isso não define sozinho o vencedor dessa corrida. Se um programa for extremamente caro e difícil de sustentar, ele pode perder força no longo prazo”, aponta o astrônomo.

A expectativa é que a superioridade tecnológica e a vantagem econômica e industrial dos próximos anos ditem o tom para que um dos países chegue novamente à Lua.



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