O Ibovespa, principal índice do mercado financeiro brasileiro, está renovando a máxima histórica e acumula valorização de mais de 30% em 2025. Mesmo diante da boa performance no ano, analistas defendem que a bolsa continua barata — ou seja, com potencial de valorizar ainda mais.

A trajetória de bons resultados, porém, foi interrompida nesta sexta-feira (5), com a bolsa perdendo mais de 4% com a confirmação de Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência da República em 2026. Antes, a bolsa operava no azul, tocando a faixa inédita dos 165 mil pontos.

O principal índice do mercado brasileiro retomou o rali na última semana, superando o patamar inédito dos 164 mil pontos. Em novembro, o Ibovespa já havia engatado uma série de máximas históricas, e analistas já apontavam para novas janelas de valorização.

Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, a bolsa barata favorece o atingimento de novos recordes do Ibovespa. O contexto de maior apetite por risco somado aos ativos descontados forma o cenário de recordes do índice.

“O Ibovespa está renovando máxima por uma série de fatores, o primeiro deles é o apetite do investidor por ativos de risco, que favorece os países emergentes. Esse fluxo de capital no mercado brasileiro tem carregado as altas da bolsa”, avalia.

O principal argumento para classificar a bolsa como barata é que os múltiplos estão com valor descontado, ou seja, sendo negociados abaixo da média histórica e com potencial de valorização.

Para Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, os múltiplos da bolsa ainda estão atrativos.

“Mesmo que a bolsa tenha renovado as máximas históricas, nós ainda vemos um desconto bom, com múltiplos atraentes de forma que ainda há upsides no curto prazo.”

Quando se fala em “múltiplos” é analisado principalmente o preço das ações em relação ao lucro das empresas. O principal indicador dessa relação é o P/L (preço/lucro).

O analista de investimentos Marink Martins, do serviço de análise MyVOL, avalia que a relação preço/lucro atualmente é convidativa.

“Estamos com um P/L abaixo de 8x, que além de ser bem abaixo da média histórica, é algo auspicioso diante de transformações que estamos vivendo”, argumenta.

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Martins é otimista com a bolsa brasileira, sobretudo pelo longo período que o investidor permaneceu na renda fixa.

“Só agora os investidores começam a enxergar a bolsa com outros olhos na eminência de um ciclo de corte de juros, temos fundamentos convidativos e, ainda que a bolsa tenha subido neste ano, ainda há muito espaço de valorização”.

O analista de investimentos ainda tem expectativa que o Brasil seja um investment grade em 2026.

O grau de investimento é uma classificação de risco feita por agências de rating como Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch, o selo atribui que o país ou empresa é bom pagador para orientar os investidores sobre a segurança do investimento.

“Isso é muito importante. É abrir as portas da indexação para o Brasil, diversos índices globais vão começar a olhar para o Brasil e saber que podem investir aqui. Estamos muito perto disso”.

Oportunidades

Com a eminência do corte de juros pelo BC (Banco Central) no primeiro semestre de 2026, a expectativa é de que a renda variável continue atrativa para os investidores no próximo ano.

Figueredo avalia que as empresas com maior potencial são aquelas com forte geração de caixa, que pagam dividendos de forma recorrentes e operam com pouca alavancagem, o que ele chama de companhias de “altíssima qualidade”.

O estrategista de ações tem dois setores preferidos: financeiro e de utilidade pública.

“Empresas que estão vinculadas ao mercado de capitais e o segmento de utilidade pública, com companhias de energia elétrica e saneamento básico, foram os destaques de 2025 e devem permanecer em 2026 pela característica de muito valor na sua entrega, com previsibilidade em seus resultados, o que é muito importante em um ano eleitoral, que sabemos que será volátil”, argumenta Figueredo.

Martins avalia que a preferência tem sido por grandes empresas, principalmente pela capacidade de repasse de preços.

Assim como Figueredo, ele também é simpatizante do setor elétrico, mas por outro motivo: pela possibilidade da tese de inteligência artificial chegar ao Brasil por meio de data centers.

Além disso, acredita que o setor de agronegócio tende a desempenhar de forma positiva pela característica exportadora do Brasil.

“Um novo bull market traz novos ativos e novas teses de investimentos, e esse bull market, que na minha opinião já começou e tende a se intensificar, vai dialogar mais com um Brasil exportador, com petróleo e milho, por exemplo, do que o ciclo de alta anterior, que beneficiou o varejo”, avalia.



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