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Uma intervenção minimamente invasiva, realizada de modo preciso com altas temperaturas, já pode substituir a cirurgia para remoção dos nódulos de tireoide. Falamos da ablação, que deve se consolidar cada vez mais como tratamento padrão para os tumores benignos da glândula.

No futuro próximo, vislumbra-se a adoção de um protocolo com o uso de pulsos elétricos, tecnologia que já é realidade em hospitais da América do Norte e da Ásia.

Os nódulos na tireoide são comuns principalmente em mulheres a partir da quarta década de vida. O problema tende aumentar ainda mais com o envelhecimento populacional.

No Serviço de Medicina Craniocervicofacial e Odontologia Hospitalar do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo são realizados, em média, 100 procedimentos de ablação por micro-ondas por ano. 

Antes da liberação do procedimento no Brasil, o tratamento dos nódulos na tireoide era feito com cirurgia. A operação, como qualquer outra, oferece risco de sequelas. Em alguns casos, chegava a ser necessária a retirada completa da glândula, tornando obrigatório o uso de hormônios tiroidianos.

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Hoje, o problema é minimizado, às vezes, até sanado, com a termoablação. Essa ferramenta é semelhante a uma agulha, que esquenta e mata com calor as células do tumor benigno. As intercorrências são raras e o paciente recebe alta no mesmo dia.

O futuro dessa técnica é a ablação por meio de pulso elétrico. Essa é uma modalidade ainda mais precisa para tratar os nódulos na tireoide, que deve ser popularizada em breve.

A novidade foi destaque no 1º Congresso Internacional Anual da Wata – a sigla em inglês para Associação Mundial de Terapias com Ablação -, realizado em Pequim, na China.

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O encontro destinado a discutir a técnica indica também, em um futuro não tão distante, o uso de máquinas de ultrassom aumentado por contraste. A tecnologia mensura a efetividade da ablação, além de ser integrada à inteligência artificial, auxiliando na análise dos resultados dessa intervenção minimamente invasiva.

Pelo pioneirismo do Serviço de Medicina Craniocervicofacial e Odontologia Hospitalar do Iamspe, estive à frente de duas palestras no 1º Congresso Internacional Anual da Wata, em que comparei as técnicas de ablação por radiofrequência e micro-ondas (termoablação) e outra sobre a aplicação delas em tumores benignos de grande volume. A presença de um profissional brasileiro em um evento internacional reafirma a qualidade técnica da medicina exercida no país.

Nesse sentido, as operações para a retirada dos nódulos da tireoide, que exigem a reposição de hormônios da glândula, devem ser substituídas cada vez mais pelos procedimentos de ablação. É esperado que esse problema se torne ainda mais comum com o aumento da expectativa de vida.

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Por isso, os tratamentos com menos efeitos colaterais e rápida recuperação são uma necessidade para proporcionar conforto aos pacientes e economia de recursos aos hospitais.

*Carlos Neutzling Lehn é cirurgião de cabeça e pescoço e chefe do Serviço de Medicina Craniocervicofacial e Odontologia Hospitalar do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo



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