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Durante os últimos anos, poucas expressões ganharam tanta força no vocabulário da moda quanto “luxo silencioso”. O conceito, associado a roupas impecavelmente cortadas, tecidos nobres, cores neutras e ausência de logotipos ostensivos, dominou passarelas, redes sociais e o guarda-roupa de celebridades. Mas, de repente, algo começou a mudar.

Nos tapetes vermelhos, o brilho voltou a aparecer. Nas passarelas, estampas, bordados e volumes recuperaram espaço. O casamento de Dua Lipa, envolto em glamour e alta-costura, foi apenas um dos sinais de que a moda parece novamente interessada em fantasia, espetáculo e emoção. A pergunta que circula no mercado é inevitável: o luxo silencioso está chegando ao fim? A resposta mais provável é não.

O que está acontecendo não é uma substituição, mas sim uma convivência. Como quase tudo na moda, o movimento pendular voltou a agir. Depois de anos de minimalismo, era natural que surgisse o desejo por mais cor, mais personalidade e mais exuberância. Mas isso não significa que a estética discreta tenha perdido relevância.

Pelo contrário. O fenômeno ganhou novo impulso nos últimos meses com a série sobre a família Kennedy que colocou Carolyn Bessette-Kennedy novamente em cena. Mais de duas décadas após sua morte, é fato que a ex-publicitária continua influenciando uma geração inteira de mulheres com seu estilo clean, composto por vestidos de corte limpo, camisas masculinas, casacos retos e uma cartela de cores reduzida, que se tornou referência para marcas, influenciadoras e consumidoras que buscam elegância sem esforço aparente.

Essa renovada fascinação pela década de 1990 também ajudou a trazer Carolyn de volta às conversas de moda, com seu nome aparecendo frequentemente em buscas, vídeos de análise de estilo e painéis de inspiração no Pinterest. Em um cenário saturado por tendências efêmeras, sua imagem oferece algo raro: a permanência. E talvez seja justamente aí que resida a diferença entre o luxo silencioso e outras modas passageiras.

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Enquanto tendências costumam nascer para serem substituídas, a estética do “quiet luxury” se apoia em valores de qualidade, simplicidade e atemporalidade. Não se trata apenas de usar bege ou vestir um conjunto de alfaiataria, mas sim de que a roupa não precisa gritar para ser percebida.

Ao mesmo tempo, no entanto, é impossível ignorar os sinais de mudança já que nos últimos meses, celebridades têm demonstrado um apetite renovado por peças de forte impacto visual. Franjas, transparências, bordados, plissados, joias maximalistas e referências aos anos 1980 e 2000 reaparecem com frequência entre nomes como Kylie Jenner, Kim Kardashian, Sabrina Carpenter e Jennifer Lopez, disputando espaço com a discrição que reinou nos anos pós-pandemia.

E há ainda uma questão econômica por trás desse movimento. Em períodos de incerteza, a moda costuma oscilar entre dois impulsos opostos. Um deles busca segurança e investimento em peças duradouras. O outro procura escapismo, diversão e fantasia. Atualmente, os dois parecem coexistir. Enquanto algumas consumidoras investem em um casaco perfeito para usar durante anos, outras desejam exatamente o contrário: roupas capazes de provocar emoção imediata.

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Essa dualidade ficou evidente nas últimas temporadas internacionais. As mesmas semanas de moda que exibiram vestidos dramáticos e ornamentados também apresentaram coleções minimalistas, com foco em construção, modelagem e materiais sofisticados. Não há um vencedor claro porque, talvez, o verdadeiro luxo de 2026 seja a liberdade de escolher.

Durante décadas, a moda funcionou por imposição: uma tendência substituía a outra. Hoje, a lógica é diferente. A mulher que se identifica com a elegância contida de Carolyn Bessette-Kennedy, por exemplo, encontra tantas opções quanto aquela que prefere o glamour exuberante de uma estrela pop contemporânea como Sabrina Carpenter.

Por isso, decretar o fim do luxo silencioso parece precipitado. O que está morrendo não é a estética da discrição, mas sim a ideia de que existe apenas uma maneira correta de parecer sofisticada. E a moda atual, convenhamos, não está escolhendo entre o sussurrar e o gritar, mas sim permitindo que ambos coexistam no mesmo guarda-roupa. O que provavelmente seja a tendência mais relevante de todas.

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