O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou em uma entrevista veiculada neste domingo, 7, que havia prometido na campanha presidencial que o país não entraria em novas guerras. Em conversa com a apresentadora Kristen Welker, da emissora americana NBC, o republicano foi questionado se o conflito no Irã, iniciado em 28 de fevereiro, representa uma ruptura com o compromisso adotado na corrida eleitoral — algo que ele rejeitou veementemente.

“Eu tive que impedir que um país, muito poderoso e muito perigoso, obtivesse uma arma nuclear, porque eles a usariam. Eles destruiriam o mundo. Destruiriam o Oriente Médio. Destruiriam Israel. Viriam para cá. Destruiriam a Europa”, rebateu Trump.

“Eles são loucos, certo? São pessoas loucas. Eu lido com eles. E são pessoas muito exaltadas. Um pouco malucas. E eu me dou bem com eles. Gosto deles. Mas você não pode deixá-los ter uma arma nuclear. Estou prestando um serviço ao mundo, mas também ao nosso país. Sabe, é América em primeiro lugar. Estou prestando um serviço ao nosso país”, acrescentou.

Na sequência, Welker pergunta se o mandatário da Casa Branca mudou de ideia sobre a ideia de “nenhuma nova guerra”. Irritado, Trump voltou atrás e disse que nunca prometeu isso.

“Em primeiro lugar, eu nunca garanti que não haveria guerra. Por que eu teria construído as Forças Armadas mais poderosas do mundo? Eu reconstruí nossas Forças Armadas. Herdei umas Forças Armadas terríveis. Não tínhamos equipamentos. Não tínhamos nada. Eu construí umas Forças Armadas extraordinárias. (Joe) Biden deu uma boa parte disso embora, mas ainda assim é uma parcela relativamente pequena comparada ao que eu construí”, afirmou ele, em crítica ao seu antecessor.

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A apresentadora insiste e afirma que o líder americano havia, sim, usado o assunto como bandeira na campanha. Ele, então, passa a atacar a jornalista, acusando-a de ser uma “grande progressista”.

“Espere um minuto. Espere um minuto. Por que eu construiria umas Forças Armadas? Eu não queria precisar usar isso, mas estou fazendo um grande favor a você e a todos os outros”, retrucou.

“Em meio ao maior mercado de ações da história, em meio ao país mais bem-sucedido, porque, como você sabe, no último mandato nós éramos um país morto, Kristen. Eu conheço você, você é uma grande liberal, uma grande progressista”, continuou.

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Mais tarde, ele abandonou a entrevista. No entanto, Trump prometeu, sim, que não envolveria os Estados Unidos em novos confrontos se eleito. A título de exemplo, veja abaixo diferentes ocasiões em que o ocupante do Salão Oval abordou o assunto:

  • Em publicação na Truth Social, rede social da qual é dono, Trump classificou a eleição como “uma escolha entre FORÇA ou FRAQUEZA, COMPETÊNCIA ou INCOMPETÊNCIA, paz e prosperidade ou guerra e ausência de guerra” em junho de 2024. 
  • Em um dos discursos de campanha, em julho de 2024, ele afirmou que “os anos de guerra, fraqueza e caos” chegariam ao fim com o seu retorno à Casa Branca, concluindo: “Eu não quero guerras.”
  • Em comício na Pensilvânia, um swing state, o republicano tratou da questão novamente, falando na terceira pessoa: “Com Trump, não teremos mais guerras, nem mais perturbações, e teremos prosperidade e paz para todos”, disse
  • Ainda em agosto, dessa vez em comício na Carolina do Norte, ele declarou que recebeu o apoio de Viktor Orbán, então primeiro-ministro da Hungria, que teria dito: “Certifiquem-se de que Trump seja reeleito presidente e não haverá mais guerras”. Pouco depois, ele apelou: “Chega de guerras. Chega de conflitos. Teremos prosperidade e teremos paz.”



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