
Os investidores operaram sem apetite ao risco no pregão desta segunda-feira, 8. Segundo especialistas, o mercado iniciou a semana em tom defensivo, sem convicção para montar posições mais agressivas em ativos brasileiros. De olho ainda no exterior, os focos são os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos e os da guerra no Oriente Médio.
O tarifaço proposto pelo presidente americano Donald Trump continua alimentando preocupações sobre crescimento global e inflação mais alta. Nas últimas semanas, o governo dos EUA abriu investigações envolvendo práticas comerciais brasileiras e anunciou a intenção de impor novas tarifas sobre produtos exportados pelo país. Entre as medidas discutidas estão uma sobretaxa de 25% relacionada a disputas bilaterais e uma tarifa adicional de 12,5% ligada a questionamentos sobre o combate ao trabalho forçado.
Em relação ao conflito bélico entre EUA e Irã, o ambiente é de leve recuperação após notícias de que o Irã teria encerrado suas operações militares recentes e de que o governo norte-americano continua buscando uma negociação para um cessar-fogo na região. As incertezas, no entanto, ainda elevam o preço do barril de petróleo brent, que sobe 1% e continua cotado a cerca de 94 dólares.
Isso somado aos indicadores econômicos americanos divulgados na semana passada fazem o dólar se fortalecer globalmente. Os dados de inflação, emprego e atividade econômica mais fortes que os esperados diminuíram as expectativas de economistas de um possível corte de juros por lá. “A sinalização de manutenção de juros elevados por mais tempo reduz o interesse por mercados [e moedas] emergentes”, explica o economista Fabio Louzada.
No Brasil, a agenda econômica contou com a divulgação do Boletim Focus semanal. Economistas consultados pelo Banco Central elevaram as projeções para a inflação do país, que deve encerrar 2026 em 5,11%, ante as expectativas de 5,09% da semana anterior. O relatório também subiu a expectativa para a taxa Selic ao fim do ano, que passou de 13,25% para 13,50%.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado: