
O avanço das fraudes em redes sociais e a popularização das apostas esportivas ampliaram o alcance dos golpistas nos últimos quatro anos, segundo um estudo produzido e divulgado pela NordVPN. Durante a Copa do Mundo de 2022, 19% dos brasileiros afirmaram ter encontrado golpes relacionados ao torneio. Agora, a expectativa da empresa é de um cenário ainda mais crítico para o Mundial de 2026, impulsionado por esquemas mais sofisticados e pelo crescimento do mercado de apostas online.
A pesquisa, realizada com mil usuários de internet no Brasil, revela que 34% dos entrevistados se deparou com algum golpe online relacionado a futebol em 2024 e 2025, e 11% desses efetivamente perderam dinheiro. Já entre os brasileiros que já tiveram contato com fraudes no mercado de apostas, 53% relataram falsas dicas de apostas, 50% encontraram ofertas fraudulentas para partidas de futebol e 43% receberam promessas de bônus em troca de pagamentos antecipados.
Outro fator que preocupa especialistas é o papel das plataformas digitais na disseminação dos golpes. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados encontraram fraudes em redes sociais, enquanto 59% foram expostos a tentativas de fraude por aplicativos de mensagens. Instagram, Facebook, TikTok e WhatsApp concentram a maior parte dessas ocorrências.
Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A e especialista em IA, tecnologia e sistemas antifraude, afirma que hoje é comum que os consumidores comprem por links enviados em mensagens, anúncios patrocinados ou perfis de marketplace sem necessariamente verificar a reputação do vendedor. “Além disso, a lógica da compra imediata — estimulada por promoções relâmpago e escassez como ‘últimos ingressos’ e ‘desconto por tempo limitado’ — favorece decisões impulsivas, um ambiente ideal para fraudadores.”
O interesse do público pelo Mundial deste ano pode ampliar ainda mais a superfície de ataque. O levantamento mostra que 85% dos brasileiros pretendem acompanhar a Copa do Mundo de 2026, o que tende a aumentar a circulação de ofertas de ingressos falsos, pacotes de viagem inexistentes ou adulterados, hospedagens fraudulentas e produtos oficiais falsificados, como camisas e souvenires.
Costa reforça que a digitalização do consumo não é o problema em si, mas exige maior alfabetização digital e atenção à procedência das ofertas. Por isso, o avanço dessas fraudes reforça a necessidade de ampliar medidas de proteção. As principais recomendações do especialista são desconfiar de ofertas excessivamente vantajosas ou urgentes, pesquisar avaliações independentes e confirmar promoções diretamente nos canais oficiais das marcas envolvidas. Na hora da compra, o passos para a segurança são:
- Comprar ingressos, pacotes e produtos apenas em canais oficiais ou revendedores autorizados;
- Verificar se o site possui certificado de segurança e reputação;
- Evitar clicar em links enviados por desconhecidos ou promoções recebidas em aplicativos de mensagens;
- Ativar autenticação em dois fatores nas contas;
- Nunca fazer transferências sem checar a origem da empresa.
Quanto às fraudes envolvendo inteligências artificiais generativas, é preciso ter uma postura mais crítica diante do conteúdo digital. “É importante desconfiar de vídeos ou áudios muito apelativos, mensagens com senso de urgência extrema, promessas extraordinárias e celebridades ou influenciadores promovendo promoções improváveis”, diz o CEO. De acordo com ele, em conteúdos gerados por IA, pequenos sinais ainda podem denunciar manipulação — movimentos faciais estranhos, voz robótica, sincronização labial imperfeita ou inconsistências no texto e no contexto.