O Grupo CMU Energia decidiu ampliar sua atuação no setor elétrico e ingressar no mercado de mobilidade elétrica por meio da criação da Watton, empresa que nasce com planos de instalar infraestrutura de recarga para veículos elétricos em Minas Gerais.
A companhia projeta investimentos iniciais entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões nos primeiros 18 meses de operação, valor que poderá alcançar R$ 70 milhões no longo prazo, à medida que o mercado evoluir.
A estratégia da operação será sustentada pela própria CMU Energia, que atuará no fornecimento de energia por meio de geração distribuída e do mercado livre de energia. A aposta ocorre em um momento de crescimento da frota de veículos elétricos no país e de expansão da demanda por infraestrutura de recarga, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Segundo o CEO da CMU Energia, Walter Froes, a Watton adotará um modelo de negócios voltado ao segmento corporativo (B2B), no qual a empresa realiza integralmente os investimentos em engenharia, infraestrutura e equipamentos para instalação dos carregadores em locais de parceiros, como postos de combustíveis, supermercados e centros comerciais. Em contrapartida, os proprietários dos imóveis recebem uma participação sobre o faturamento gerado pelas recargas.
A operação terá início em Minas Gerais, com foco na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na rota para Ouro Preto. A primeira unidade entrou em funcionamento no início de junho.
A companhia pretende concentrar esforços inicialmente em corredores rodoviários, considerados estratégicos para ampliar a confiança dos motoristas na utilização de veículos elétricos em viagens de maior distância.
“Eletroposto em estradas é uma necessidade clara. Já estamos colocando nas principais artérias. O plano é que até o final de 2027 sejam instalados cerca de 100 eletropostos com investimentos da ordem de R$ 10 milhões”, afirmou Fróes em entrevista à CNN.
De acordo com o executivo, Minas Gerais apresenta crescimento da participação dos veículos elétricos, mas a dimensão territorial do estado e a limitada oferta de pontos de recarga ainda representam obstáculos para deslocamentos de longa distância. A empresa já identificou potenciais locais para instalação de equipamentos, principalmente em postos de combustíveis.
“Temos cerca de 50 pontos mapeados. São postos de gasolina e estamos trabalhando em mostrar aos donos as vantagens, já que os clientes vão usar as facilities do estabelecimento, como banheiros, restaurantes e lojas de conveniência, além de uma remuneração”, disse.
Segundo ele, a remuneração oferecida aos parceiros gira em torno de 10% do faturamento obtido com as recargas. “As margens de ganhos na venda de combustíveis são muito pequenas. Podemos até oferecer uma margem melhor”, acrescentou.
Um dos principais desafios para a expansão da rede, segundo Froes, está na capacidade elétrica disponível nos locais escolhidos. Como os postos de combustíveis normalmente possuem baixa demanda de energia, a instalação de carregadores rápidos exige reforços significativos na infraestrutura elétrica. A responsabilidade por garantir a robustez necessária da rede é das distribuidoras locais de energia.
A estratégia da Watton prevê duas frentes de atuação. A primeira envolve carregadores lentos, direcionados a hotéis e condomínios, onde os veículos permanecem estacionados por períodos mais longos. A segunda contempla carregadores rápidos, destinados a hubs urbanos utilizados por motoristas de aplicativo, shopping centers, supermercados e pontos de parada em rodovias.
Além do mercado de veículos de passeio, a empresa pretende atuar na eletrificação de frotas corporativas, com foco especial em operações logísticas e de entregas de última milha, segmento que vem registrando aumento da demanda por soluções de mobilidade de baixo carbono.