
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira, 8, que ofensiva militar no Líbano será intensificada. O anúncio ocorre poucas horas após o Irã suspender os ataques a Israel, embora tenha alertado que “medidas muito mais severas e repressivas” seriam tomadas “caso as agressões e os males persistam, inclusive no sul do Líbano”.
“As Forças de Defesa de Israel continuarão a operar no Líbano contra a organização terrorista Hezbollah”, disse Katz em comunicado, adiantando que o distrito de Dahiyeh, em Beirute, será bombardeado em retaliação aos ataques da milícia contra o norte de Israel.
A ordem contraria o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cancelou ainda na semana passada uma operação israelense contra Beirute. No momento, Trump conversa com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre a troca de ataques com o Irã. Mais cedo, o republicano instou os lados do conflito a “pararem imediatamente com os ‘tiroteios’”.
Em publicação na Truth Social, rede social da qual é dono, o republicano afirmou que Israel e Irã “estão buscando um cessar-fogo imediato”, mas que as negociações de paz podem ser atrapalhadas por “ignorância” ou “estupidez”. Ele também informou que o bloqueio americano, que impede a entrada e saída de navios do Irã, continuará em vigor “até que um acordo final seja alcançado”.
Ainda nesta segunda, o Irã culpou os EUA pela escalada das tensões com Israel. “Sem dúvida, como eu disse, as ações do regime sionista na região não podem ser separadas das políticas dos EUA”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei. “Ninguém acredita que o regime sionista realizaria qualquer ação sem prévia coordenação e cooperação com os Estados Unidos.”
A troca de ataques foi desencadeada por uma ofensiva israelense contra Beirute, capital do Líbano. A Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, bombardeou uma instalação similar em Haifa e disse ter alvejado a base aérea de Ramat David, no Vale de Jezreel. Em resposta, Israel lançou mísseis contra Teerã, Tabriz e Isfahan, além de ter atingido uma petroquímica em Bandar-e Mahshahr.
O Irã coloca o fim da guerra em todas as frentes na região — o que inclui o Líbano, alvo de uma ofensiva israelense contra o Hezbollah — como uma das principais demandas para um acordo com os Estados Unidos. O posicionamento é criticado pelo primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, que condena o uso do país como uma “moeda de troca” nas tratativas.
O Líbano foi arrastado para a guerra que abala o Oriente Médio, virando uma de suas múltiplas frentes, depois de o Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março numa retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.