Favorito nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) alfinetou publicamente o presidente de seu partido, o deputado federal por São Paulo Marcos Pereira, embaralhando ainda mais o cenário no estado. Minas é hoje o único entre os maiores colégios eleitorais do país onde os principais candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ainda não têm palanque definido. 

Em entrevista ao jornal O Globo, Cleitinho disse que não é amigo de Pereira e que não confia plenamente nele. “Ele garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, afirmou. Ele ainda xingou Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara que tentará um novo mandato como deputado pelo partido e é a principal aposta do Republicanos para puxar votos no estado. 

Marcos Pereira rebateu a declaração, dizendo que já assegurou a Cleitinho que ele terá o apoio da legenda se quiser se lançar ao governo, mas que parece que é o senador que não sabe o que quer. 

O entrevero é mais um capítulo da indefinição em Minas – na semana passada, Flávio Bolsonaro esteve no estado, onde participou principalmente de eventos ligados ao agronegócio e tentou selar a aliança com Cleitinho, elogiando-o publicamente. “Gostaria muito de caminhar ao lado dele aqui em Minas Gerais”, falou. Até o momento, porém, ele não teve confirmação do lado do colega de Senado. 

Indefinição também na esquerda

A incerteza não está restrita ao campo da direita: o PT procura um novo nome para apoiar no estado após Rodrigo Pacheco (PSB), aposta de Lula no estado, fincar o pé e dizer que não será candidato. Na última quarta, 3, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, se reuniu em Brasília com o deputado estadual Gabriel Azevedo (MDB) e o presidente do partido dele, Baleia Rossi. Interlocutores afirmam que a conversa, que durou mais de três horas, avançou no sentido de que o emedebista pode ser o escolhido de Lula em solo mineiro. 

Enquanto as legendas não se decidem, o eleitor também não tem preferência clara: de acordo com a última pesquisa da Real Tig Big Data, em maio deste ano, 71% dos eleitores mineiros dizem não saber em quem vão votar na pesquisa espontânea, em que eles não recebem a lista com os nomes dos possíveis candidatos.



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