O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (7/6) que Israel não coordenou com Washington o ataque realizado contra os subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano.
Em entrevista à Fox News, o republicano disse que desaprova a ofensiva e alertou que a escalada militar pode dificultar as negociações em andamento entre os americanos e o governo iraniano.
Segundo Trump, o lançamento de mísseis iranianos contra Israel representa um obstáculo para os esforços diplomáticos conduzidos pelos EUA, embora ele ainda veja chances de um entendimento entre os dois países nos próximos dias.
“Isso certamente não ajuda nas negociações. Estamos muito perto. Eu diria que um acordo será assinado na segunda, terça ou quarta-feira da próxima semana. E agora isso acontece”, declarou.
O presidente também defendeu que Teerã volte à mesa de negociações. “Vocês lançaram seus mísseis, isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo”, afirmou.
Ao comentar a ação israelense em Beirute, Trump disse que não aprovou a decisão. “Não estou nada satisfeito com isso”, declarou à emissora americana.
Trump quer evitar nova resposta militar de Israel
De acordo com o portal Axios, Trump pretende conversar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para tentar evitar uma nova ofensiva militar após o ataque iraniano. A avaliação do presidente americano é que uma reação israelense pode comprometer as tratativas diplomáticas conduzidas pela Casa Branca.
Ao jornalista Barak Ravid, Trump afirmou que pretende pedir contenção ao governo israelense e argumentou que ambos os lados já realizaram ações militares nas últimas horas.
“Vou ligar para Bibi [apelido que é usado para se referir a Netanyahu] agora mesmo e dizer para ele não retaliar. Israel já teve seu ataque e o Irã já teve o seu. Não precisamos de outro”, disse.
Ainda segundo o Axios, Trump avaliou que os mísseis iranianos não provocaram danos significativos e voltou a defender a continuidade das negociações.
“Estamos muito perto de um acordo final com o Irã. Será um bom acordo. Não quero que ele fracasse por causa do que está acontecendo agora”, afirmou.
Troca de ameaças amplia tensão no Oriente Médio
A nova crise teve início após bombardeios israelenses atingirem os subúrbios ao sul de Beirute, área considerada um dos principais redutos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Em resposta, Teerã lançou diversas ondas de mísseis contra Israel.
O governo iraniano classificou a ação israelense como uma violação grave e afirmou que a operação com mísseis serviu como um alerta diante da ofensiva em território libanês. A Guarda Revolucionária também ameaçou ampliar os ataques caso novas ações militares sejam realizadas por Israel.
Por sua vez, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que os projéteis iranianos foram interceptados e acusaram Teerã de cometer um “grave erro” ao realizar o ataque. O Exército israelense declarou que pretende manter a campanha militar contra o Hezbollah e reforçar suas operações no Líbano.
‼️ رژیم تروریستی ایران در تلاش است معادلهای جدید ایجاد کرده و با انجام شلیک مستقیم به خاک ما، در واکنش به حملات ارتش اسرائیل به ضاحیه ، قواعد جدیدی را تحمیل کند – ما اجازه چنین کاری را نخواهیم داد!
⭕️ ما در واکنش به شلیکهای بیوقفه حزبالله به سوی شهرکها و مناطق مسکونی شمال…
— ارتش دفاعی اسرائیل | IDF Farsi (@IDFFarsi) June 7, 2026
A escalada também afetou a aviação na região. O Irã restringiu parte de seu espaço aéreo, enquanto Iraque e Síria anunciaram limitações temporárias para voos após os ataques.
Os novos confrontos aumentam a pressão sobre o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em abril e colocam em risco as negociações que Washington tenta conduzir para evitar uma ampliação do conflito no Oriente Médio.