A Nasa divulgou novos detalhes sobre o alerta de segurança que levou cinco astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) a se prepararem para uma possível evacuação na sexta-feira (5). Segundo a agência, a medida foi tomada por precaução durante uma operação de reparo em uma área afetada por vazamentos de ar no módulo russo Zvezda.
De acordo com a Nasa, o compartimento de transferência do módulo Zvezda registra rachaduras desde 2019, que têm provocado pequenos vazamentos de atmosfera da estação. Desde então, a agência espacial americana e a Roscosmos, da Rússia, trabalham em conjunto para identificar a causa do problema e implementar medidas de contenção.
Segundo a agência, a semana de 1º de junho, durante operações de carga da nave Progress 95, a Roscosmos observou que a taxa de vazamento havia aumentado para cerca de dois quilos de ar por dia e identificou novas áreas suspeitas de perda de pressão no compartimento. Diante disso, os agentes russos decidiram realizar uma inspeção mais ampla e iniciar reparos estruturais na manhã de sexta-feira.
O procedimento previa o corte de um suporte estrutural para permitir acesso a uma região considerada possível origem do vazamento. Segundo a Nasa, a técnica poderia aumentar os riscos para a integridade da estrutura, o que levou a agência americana a determinar que os quatro integrantes da missão Crew-12 e o astronauta Chris Williams adotassem uma postura de segurança reforçada.
Os astronautas foram orientados a permanecer na cápsula Crew Dragon, da SpaceX, em um protocolo conhecido como “safe haven” — ou abrigo seguro — utilizado em situações que exigem preparação para uma eventual evacuação da estação.
Ainda na manhã de sexta-feira, porém, a Roscosmos decidiu suspender o reparo estrutural e realizar novas medições e análises dos dados. A inspeção incluiu a verificação das áreas suspeitas e a revisão de locais onde vedantes já haviam sido aplicados anteriormente.
A Nasa afirmou ter apoiado a decisão da agência russa. Com a suspensão dos trabalhos, os astronautas encerraram o protocolo de segurança e retomaram as atividades normais a bordo da ISS.
Segundo a agência americana, as equipes dos Estados Unidos e da Rússia continuarão trabalhando em conjunto para avaliar o problema e encontrar uma solução definitiva para os vazamentos detectados no módulo Zvezda.
O que é a Estação Espacial Internacional
A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) é um laboratório científico que orbita a Terra a cerca de 400 quilômetros de altitude. Considerada a maior estrutura já construída pelo ser humano no espaço, ela funciona como uma base permanente para pesquisas em ambiente de microgravidade e está habitada de forma contínua desde o ano 2000.
O projeto é resultado de uma parceria internacional que reúne Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e países da Europa. A estação é formada por diversos módulos interligados, que servem como áreas de trabalho, laboratórios, dormitórios, sistemas de suporte à vida e locais para a realização de experimentos científicos.
A principal função da ISS é permitir estudos que não podem ser realizados nas condições encontradas na Terra. A ausência quase total de gravidade possibilita pesquisas em áreas como medicina, biologia, física, química e engenharia, ajudando cientistas a entender melhor o comportamento do corpo humano e de diferentes materiais no espaço.
Além de contribuir para avanços científicos com aplicações na vida cotidiana, a estação também é usada para testar tecnologias que poderão ser empregadas em futuras missões de exploração espacial. Muitos dos conhecimentos obtidos na ISS são considerados essenciais para projetos que pretendem levar astronautas de volta à Lua e, futuramente, a Marte. A estação completa aproximadamente 16 voltas ao redor da Terra por dia e pode abrigar até sete tripulantes em missões de longa duração.
Veja pronunciamento da Nasa na íntegra
“O túnel de transferência do módulo de serviço Zvezda, conhecido como PrK, na Estação Espacial Internacional (EEI) apresenta rachaduras desde 2019 que resultam em pequenos vazamentos de atmosfera. A NASA e a Roscosmos trabalham juntas para identificar a causa raiz enquanto a agência espacial russa aplica medidas de mitigação, incluindo selantes temporários e permanentes.
Na semana de 1º de junho, durante operações de carga da nave Progress 95, a Roscosmos registrou aumento na taxa de vazamento — para cerca de 900 gramas por dia — e identificou novas áreas suspeitas no PrK.
Na manhã de sexta-feira, a Roscosmos decidiu iniciar um esforço mais extenso de inspeção e reparo estrutural. A abordagem envolveu o corte de uma suporte para acessar melhor uma área identificada como possível fonte do vazamento — método que poderia representar risco elevado à estrutura local. Em resposta, a NASA determinou que os quatro membros da SpaceX Crew-12 e o astronauta Chris Williams, que viajou à estação a bordo da Soyuz MS-28, adotassem uma postura de segurança elevada dentro da cápsula Dragon, procedimento conhecido como safe have*.
Ainda na manhã de sexta-feira, a Roscosmos pausou o reparo estrutural para realizar medições adicionais e avaliações de dados, incluindo inspeção das áreas suspeitas e revisão de locais onde selantes foram aplicados anteriormente. A NASA apoiou fortemente a decisão. Com isso, a Crew-12 e Williams encerraram o safe haven e retomaram as operações normais a bordo da estação.
A NASA informou que continuará trabalhando com a Roscosmos e demais parceiros internacionais para garantir uma resolução ao problema.“