O menino de 11 anos que teve a perna esquerda amputada, vítima de um ataque de tubarão no último domingo (31) na Praia de Piedade, na Grande Recife (PE), ainda corre risco alto de infecção.

A informação é de Lucas Nemezio, pai da criança, que publicou nas redes sociais as últimas atualizações do estado de saúde do filho. Ele afirma que seu filho, após ser transferido para um hospital particular, está em “isolamento estrito”.

Testemunhamos um milagre. Hoje ele se encontra em isolamento estrito e essa é uma medida médica vital, pois o risco de infecção ainda é alto. A imunidade dele está muito baixa. Cada visita representa um risco.

Lucas Nemezio, pai do menino de 11 anos

Nas redes sociais, Lucas agradeceu todo o apoio das equipes de resgate e médicas que salvaram a criança. “No dia mais difícil das nossas vidas, vocês foram um instrumento de Deus para salvar, de fato, a vida do meu filho”, disse.

O homem ainda contou que estava trabalhando em Manaus (AM) quando soube do ataque. “Faz 4 meses que entrei na PRF (Polícia Rodoviária Federal), estava prestando serviço em Manaus quando tudo aconteceu”.

Ele também agradeceu ao plano de saúde que está cobrindo todos os custos hospitalares, até o momento. Porém, Lucas ressaltou que o ataque é acompanhado por um grande trauma. “Os custos invisíveis de uma amputação são gigantescos: adaptações estruturais, tratamentos, remédios caríssimos, a saúde psicológica também foi prejudicada…”.

“A imunidade dele está muito baixa. A recuperação será longa”, desabafou o pai. A família criou uma vakinha virtual para ajudar com as despesas de acessibilidade e saúde da criança.

 

O menino estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Pediátrica do Hospital Restauração Governador Paulo Guerra, mas teve alta médica nesta sexta-feira (5), quando foi transferido para um hospital particular. 

Relembre os ataques

Além da criança de 11 anos, uma jovem de 19 anos foi atacada por um tubarão na praia de Boa Viagem, na zona Sul do Recife. Segundo o Corpo de Bombeiros, a Marcela Vitória de Lima Santos foi resgatada por agentes do GBMar (Grupamento de Bombeiros Marítimos). Após ser retirada da água, ela recebeu atendimento pré-hospitalar ainda na beira da praia.

Marcela foi transferida para o Hospital Alfa, onde recebeu os primeiros cuidados. Logo depois, foi levada pelo SAMU para o Hospital da Restauração, que é referência de atendimento neste tipo de caso.

Ela deu entrada na segunda (1°) com amputação completa no membro inferior direito, segundo o hospital. A paciente passou por um procedimento cirúrgico de emergência para controlar o sangramento e regularizar a ferida da coxa.

Já o menino de 11 anos, que deu entrada no domingo (31), foi mordido pelo animal na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

A criança também teve a perna esquerda amputada. De acordo com o hospital, logo após dar entrada na unidade, o paciente passou por um procedimento cirúrgico de emergência para amputação do membro inferior esquerdo e tratamento de uma fratura na mão esquerda.

Devido à gravidade da lesão, a criança de 11 anos também precisou receber transfusão de sangue.

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Novas medidas de prevenção para acidentes

Nessa quinta-feira (4), o Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões) se reuniu para debate sobre ações realizadas pelo Governo de Pernambuco, que consiste em um conjunto de iniciativas voltadas à prevenção de incidentes, incluindo educação ambiental, pesquisa científica e monitoramento com investimentos superiores a R$ 8,3 milhões, a partir de 2023.

Desses valores, foram realizadas aquisições para o Corpo de Bombeiros com o objetivo de ampliar a capacidade operacional, modernizar os meios de salvamento e fortalecer as ações de prevenção, como a aquisição de motos aquáticas, equipamentos de salvamento como botes infláveis, drone operacional e botes, além da implantação de 150 placas de alerta de risco de incidentes, reboques para transporte de embarcações e micro-ônibus operacionais.

A secretária executiva do Cemit, Danise Alves, informou que o órgão recomendou a intensificação das ações de educação ambiental, correspondentes ao Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões em Pernambuco (PEAST-PE), nas escolas, praias e demais locais públicos. Outras iniciativas estão inseridas em 13 projetos financiados pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE) com o objetivo de sensibilizar à população quanto aos riscos de incidentes, por meio de ações e elaboração de materiais didáticos.

“Essas atividades acontecem desde 2023, a partir do lançamento do PEAST e da criação da Rede de Educadores Ambientais, com mais de 60 atores participantes. O objetivo é intensificar as atividades educacionais durante esse período chuvoso e em julho, mês de férias, quando a água fica mais turva e há mais pessoas utilizando as praias”, detalhou Danise.

O Governo de Pernambuco retoma o monitoramento de tubarões no litoral pernambucano após 11 anos. Com investimento de R$ 1.052.000,00, permitirá compreender a ecologia e o deslocamento desses animais na Região Metropolitana.

A partir dessas informações, permitirá a identificação de zonas de risco, a geração de dados científicos atualizados e o aprimoramento das estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática.

O projeto Ecotuba, que será iniciado em junho, participou da 19ª rodada de submissão ao edital 40/2024, Ciência no Governo: Programa Cientista Arretado – Monitoramento de Tubarões no Litoral Pernambucano.

A iniciativa é coordenada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, em uma ação demandada pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha e fomentada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE).





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