Depois de meses de aumentos paulatinos nos preços dos combustíveis, maio trouxe uma boa notícia: os três principais deles – o diesel, a gasolina e o etanol – tiveram queda nas bombas no ano passado. No caso do etanol, que teve o maior recuo dos três, a redução no preço foi de 5,6% na comparação com abril, passando para uma média 4,49 reais por litro no país. As informações fazem parte do monitor de preços mensal feito em parceria pela empresa de tags Veloe e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Não é o suficiente, em nenhum dos casos, para anular todos os aumentos que já aconteceram principalmente depois do início do conflito no Irã, em fevereiro, que fez o preço do petróleo e de seus derivados subir em todo o mundo. No caso do etanol, o preço atual está praticamente no zero a zero neste ano, com alta acumulada de 0,3% desde janeiro, mas 2,6% acima do que um ano atrás. Nesse contexto, as reduções recentes são bem-vindas.

É normal que, entre maio e setembro, aproximadamente, quando acontece o grosso das colheitas da cana-de-açúcar no Brasil, o preço de um de seus principais derivados, o etanol, fique mais baixo. Na temporada deste ano, contudo, há alguns elementos colaborando para que a produção do biocombustível cresça de maneira robusta neste e possa dar uma ajuda ao consumidor, em um contexto em que, por outro lado, a arrancada nos preços dos combustíveis vindos do petróleo tende a puxar o mercado todo para cima a reboque.

A projeção mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada no início da safra sucroalcooleira atual, em abril, é de que a produção de etanol deve crescer 8,5% neste ciclo, chegando a um total de 40,7 bilhões de litros, e isso deve pela conjugação de diversos fatores a favor.

Safra (quase) recorde

O primeiro desses fatores é que a produção da cana em si promete ser expressiva, resultado de uma mistura do clima favorável do ano passado, quando as plantações foram feitas, e também no aumento da área plantada.

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A estimativa da Conab é de que a safra deste ano gere 709,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento de 5,3% em relação ao ciclo terminado no ano passado e o segundo maior volume da história. Só na safra de 2023/24 o volume colhido de cana no Brasil foi maior do que isso.

As usinas não querem fazer açúcar

Com tanta cana em seus moinhos, também pesa a favor do etanol o fato de que as usinas estão, por enquanto, menos interessadas em fazer açúcar, o outro produto que pode ser feito a partir da mesma planta e, que na contramão do petróleo, está com sobreoferta e preços em queda no mercado internacional.

Por essa razão, a estimativa da Conab é de que a produção de açúcar do país caia 0,5% nesta safra, para 43,9 milhões de toneladas. Sobra mais para o etanol. Na outra direção, a produção do álcool da cana pode crescer 7%, para 29,3 bilhões de litros. É o equivalente a cerca de 70% de toda a produção de etanol do país.

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A ajuda do milho

É dos 30% restantes que vem a explicação para o aumento na fartura de etanol disponível no país neste ano. Eles são feitos de milho, grão historicamente plantado em larga escala no Brasil para servir de ração para animais, como frangos e bovinos, e cuja participação na indústria alcooleira brasileira era nula até uma década atrás.

Concentradas essencialmente no centro-oeste, as novas usinas de etanol destilado a partir do milho ganham espaço rápido. Um levantamento feito pelo Insper que o volume total do milho plantado no Brasil e destinado para a produção de etanol saiu de 1,3 milhão de toneladas, em 2018, para 17,7 milhão em 2015.

Para a safra de 2026 e 27, a estimativa da Conab é de que a produção do biocombustível de milho cresça 12,3%, chegando a 11,4 bilhões de litros e renovando, mais uma vez, o seu recorde.



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