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O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quinta-feira, 4, que militares continuarão suas operações terrestres no sul do Líbano, horas depois do anúncio de um cessar-fogo entre Beirute e Tel Aviv.
Segundo Katz, as Forças de Defesa de Israel (IDF) não se retirarão do sul do Líbano, incluindo do Castelo de Beaufort – uma posição estratégica que foi ocupada pelas forças israelenses no fim de semana. O ministro disse ainda que as centenas de milhares de pessoas deslocadas não poderão retornar às suas casas.
“Nesta fase, as Forças de Defesa de Israel continuarão suas operações de fogo e terrestres, permanecerão na zona de segurança no Líbano até a linha amarela – incluindo a área de Beaufort – e sem o retorno da população, enquanto continuam a desmantelar a infraestrutura terrorista no território”, disse Katz em um comunicado.
Segundo Katz, o acordo de trégua também dá ao seu Exército a “liberdade” de atacar Beirute caso a milícia xiita Hezbollah ataque comunidades em Israel.
O porta-voz do Exército israelense, Avichay Adraee, também emitiu um alerta aos moradores do sul do Líbano nesta quinta, afirmando que Israel continuaria a atacar “instalações e infraestrutura do Hezbollah na área ao sul do rio Zahrani e arredores”.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) informou na manhã desta quinta que Israel realizou ataques com drones em Kfar Tebnit e Tiro, no sul do país. Já a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, afirmou ter atacado um posto de comando israelense nas “proximidades do histórico Castelo de Beaufort”.
Acordo de cessar-fogo
Israel e o Líbano concordaram nesta quarta-feira, 3, em “implementar um cessar-fogo” e criar “zonas-piloto” que ficarão sob o controle do Exército libanês, segundo uma declaração conjunta divulgada após o fim de dois dias de negociações em Washington.
O acordo, no entanto, está condicionado à “cessação total dos disparos do Hezbollah e à retirada de todos os membros do Hezbollah da área ao sul do rio Litani”, a cerca de 30 km da fronteira com Israel, afirma a declaração assinada pelas três partes envolvidas nas negociações.
As partes também concordaram em participar de uma nova rodada de negociações na semana de 22 de junho com o objetivo de alcançar um “acordo global”, acrescenta o comunicado.
No entanto, vários pontos permanecem obscuros, como a referência à criação de “zonas piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas exercerão controle exclusivo”.
Israel e Líbano já haviam concordado com um cessar-fogo em 17 de abril, mas esse compromisso nunca se traduziu em uma calma genuína no terreno e bombardeios israelenses continuaram com frequência.
Mahmud Qomati, um membro do alto escalão do Hezbollah, havia declarado na terça-feira que seu grupo, que rejeita as negociações em Washington, “não aceitaria um cessar-fogo parcial” com Israel.
Escalada das hostilidades
O novo acordo foi anunciado após a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar abrir “novas frentes” e manter o fechado o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo, em resposta à ofensiva de Israel no Líbano.
“De acordo com a proposta, os ataques israelenses aos subúrbios do sul de Beirute cessarão em troca da abstenção do Hezbollah de realizar ataques contra Israel”, disse a embaixada do Líbano em Washington em comunicado, reiterando que o acordo não encerra o conflito no país.
Nesta quarta, o Ministério da Saúde libanês afirmou que três hospitais no sul do Líbano foram atingidos por bombardeios das FDI em menos de uma semana. De acordo com Beirute, os ataques resultaram na morte de nove pessoas e deixaram outras 150 feridas, com a grande maioria das vítimas sendo profissionais de saúde.
Uma média de 11 crianças foram mortas ou feridas a cada 24 horas por ataques de Israel ao Líbano na última semana, segundo dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Desde 2 de março, quando o Hezbollah disparou mísseis contra o território israelense após os bombardeios ao Irã, mais de 3.100 pessoas foram mortas no Líbano.
Os dados foram divulgados após o Exército de Israel afirmar que considerará toda a região do território libanês ao sul do rio Zahrani, que se estende por cerca de 40 km a partir da fronteira com o Líbano, como uma “zona de combate”. A área de 1.500 km² cobre quase 15% do país.